A questão central é que política se decide seguir
É preciso que Abril se cumpra na vida das mulheres

ALMADA «A efectivação dos direitos das mulheres só se concretiza com uma nova política», sublinhou Jerónimo de Sousa num almoço com mulheres trabalhadoras, no qual João Ferreira alertou que «a igualdade não chegará sem luta».

O Secretário-geral do PCP e o primeiro candidato da CDU às eleições para o Parlamento Europeu (PE) participaram num almoço de comemoração do Dia Internacional da Mulher, realizado sexta-feira, 8, na Academia Almadense. Perante uma moldura maioritariamente feminina e trabalhadora, predominância evidenciada igualmente na mesa que presidia à iniciativa, João Ferreira recordou que passados muitos anos desde que Clara Zetkin propôs a efeméride, «aqui estamos a reafirmar o compromisso de levar por diante essa luta pela igualdade na vida».

O cabeça-de-lista da CDU ao sufrágio para o PE recenseou, depois, o muito e bom trabalho efectuado pelos eleitos comunistas no hemiciclo em Bruxelas e Estrasburgo, sublinhando que, da parte dos comunistas, sendo seguro o propósito de «combater, prevenir e erradicar todas as formas de violência que se abatem sobre as mulheres», a estruturá-lo está uma perspectiva de classe que nenhuma outra força política transporta.

A diferenciar a CDU das demais forças políticas, acrescentou, está o facto de a coligação não precisar de quotas para incluir três mulheres entre os cinco candidatos já apresentados, constatação que, referiu também, traduz a perspectiva singular de que «a igualdade na vida não chegará sem luta» e participação insubstituíveis das próprias mulheres.

Usando da palavra a encerrar o almoço, Jerónimo de Sousa saudou o papel das mulheres de Almada na recuperação de direitos e rendimentos ocorrida nos últimos anos e criticou fortemente a autarquia por ter acabado com a homenagem às trabalhadoras do município.

Questão central
«Este é um exemplo indissociável dos retrocessos registados neste mandato no plano autárquico» no concelho e a prova cabal de que «não é por haver mais mulheres neste ou naquele cargo que se altera a política».

«A questão central é que política se decide seguir», insistiu o Secretário-geral do PCP, que lembrando o impulso dado pela Revolução de Abril na «transformação da condição e estatuto social» das mulheres, frisou que as conquistas consagradas têm sido obstaculizadas e sofrido revezes devido a décadas de política de direita.

No tempo presente, continuou, «governos, instâncias europeias e internacionais ao serviço do grande capital e do sistema capitalista elegem como sua a "bandeira" da "igualdade de género", pretendendo ocultar que o sistema capitalista proclamou a inferioridade das mulheres, na lei e na vida». Neste sentido, colocar a questão no plano da «igualdade de género», «desprovida de qualquer perspectiva de transformação da condição social da grande massa de mulheres que o sistema capitalista explora, oprime e pretende alienar», e «forjar uma “identidade feminina” desprovida de consciência social, de classe e política», têm como objectivo «subverter a luta organizada das mulheres, que acontece todos os dias, e não apenas num dia no ano, fomentado falsas divisões entre trabalhadores em função do sexo, visando quebrar a unidade de classe da sua luta comum contra o verdadeiro opressor – o grande capital e os governos que a ele se subordinam», acusou.

«É preciso que Abril se cumpra na vida das mulheres», prosseguiu Jerónimo de Sousa, para quem tal não sucederá mantendo as «opções económicas e sociais de sucessivos governos da política de direita e de integração de Portugal na União Europeia», na medida em que «alimentam e reproduzem os mecanismos de dupla exploração, desigualdade e discriminação das mulheres, no trabalho, na família, na vida social e política».

«A efectivação dos direitos das mulheres só se concretiza com uma nova política enraizada nos valores e conquistas da Revolução de Abril», afirmou ainda o dirigente comunista, que concluiu apelando a que «as mulheres levem a sua luta, as suas aspirações e direitos até ao voto» num ano com eleições que convocam a «tomar partido por soluções de futuro».

Um combate do nosso tempo

Para além do almoço com mulheres trabalhadoras do concelho de Almada em que estiveram Jerónimo de Sousa e João Ferreira, e dezenas de outras iniciativas similares envolvendo dirigentes, militantes comunistas e amigos do Partido, o PCP distribuiu, por todo o País, nas ruas e junto de empresas e locais de trabalho, um folheto alusivo ao Dia Internacional da Mulher.

No documento intitulado «Viver, trabalhar, participar em igualdade. Cumprir os direitos das mulheres», o PCP assume o compromisso de lutar por uma nova política que assegure os direitos das mulheres enquanto trabalhadoras, cidadãs e mães, porque essa é a condição necessária para que possam viver, trabalhar e participar em igualdade em todas as esferas da vida, dando-lhes igualmente a confiança para se assumirem como protagonistas das mudanças que desejam para as suas vidas».

O Partido chama também à atenção «para a natureza das opções económicas e sociais de sucessivos governos da política de direita que inverteram o rumo de Abril, transformando Portugal num País mais desigual, periférico e dependente, acentuando as discriminações sobre as mulheres e criando novos obstáculos à sua participação em igualdade, enquanto trabalhadoras, cidadãs e mães». Daí que se saliente «o valor da luta das mulheres pelo exercício dos seus direitos» e reafirme que «a exigência de igualdade na vida é um combate do nosso tempo».

 



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