- Edição Nº2363  -  14-3-2019

Vibrantes comícios em Lisboa e no Porto marcam 98 anos do PCP

UNIDADE Os comícios comemorativos do 98.º aniversário do PCP, realizados no fim-de-semana em Lisboa e no Porto, deixaram claro que o colectivo partidário está coeso, determinado e pronto para enfrentar as exigentes batalhas que marcam o calendário político do ano.

As comemorações dos 98 anos do PCP iniciaram-se na noite de sexta-feira, 7, no salão da centenária associação lisboeta A Voz do Operário, onde se inscreve em letras douradas por cima da entrada o lema «Trabalhadores uni-vos» e que ao longo dos anos acolheu inúmeras iniciativas partidárias e unitárias dedicadas à luta milenar pela emancipação dos explorados. Dois dias depois, no domingo, foi a vez do histórico Teatro Municipal Rivoli, no Porto, acolher o comício comemorativo de tão relevante aniversário, que contou também com as intervenções do Secretário-geral, Jerónimo de Sousa, e de João Ferreira, primeiro candidato da CDU às eleições para o Parlamento Europeu (ver páginas seguintes).

Ambos os recintos transbordaram com militantes e amigos vindos dos quatro cantos dos distritos de Lisboa e do Porto, profundamente conhecedores da realidade que se vive nas empresas e locais de trabalho, das localidades e freguesias. Uma realidade que transformam com a sua abnegada acção quotidiana na organização do Partido, nos sindicatos e em diferentes associações, colectividades e comissões. O lema que enquadra as comemorações, inscrito em grandes caracteres vermelhos nos palcos da Voz do Operário e do Rivoli, constitui um autêntico programa político do partido que ali celebrava um percurso ímpar e um futuro promissor: «Com os Trabalhadores e o Povo – Democracia e Socialismo».

Organização e luta

Para lá das intervenções principais, passaram pelas tribunas dois membros da JCP e representantes das direcções das organizações regionais de Lisboa e do Porto do Partido. Em nome da DORL, Ricardo Costa, igualmente membro do Comité Central, destacou os avanços verificados na organização partidária em Lisboa: a acção de contacto com trabalhadores resultou já em 180 recrutamentos e na presença do Partido em 50 empresas e locais de trabalho onde anteriormente não havia qualquer militante. Esta reforçada presença do Partido nas empresas teve já como consequência a intensificação da luta contra a exploração e a conquista de importantes direitos.

Tânia Couto, da DORP, também valorizou a intensificação da luta dos trabalhadores do distrito, que abrangeu amplos sectores: da indústria à hotelaria, do comércio aos transportes, da Administração Pública aos portos, dos motoristas de táxi aos trabalhadores da UBER. A acção das populações em defesa dos serviços públicos contou também com o estímulo dos comunistas.

Ambos realçaram a vitória que constitui a redução do preço do passe social nas duas áreas metropolitanas, e o alargamento da sua abrangência, lembrando que ela resulta da persistência e iniciativa do PCP.

Os jovens comunistas Sara Gonçalves e Afonso Sabença realçaram as lutas em curso da juventude trabalhadora e estudantil e a ampla e diversificada acção da JCP nas duas regiões.

Cultura é resistência

A cultura ocupa desde sempre um lugar destacado na acção do Partido Comunista Português e no seu projecto democrático e socialista. Nos comícios, assume um lugar especial.

Em Lisboa, o poeta Ary dos Santos foi lembrado pela voz de André Levy e dos jograis Domingos Lobo e Manuel Diogo. Os versos – fortes e incisivos – lembraram a todos o sentido da luta dos comunistas, ontem como hoje. A música dos El Sur remeteu para a América Latina, para a luta que há muito ali se trava pelo progresso e a soberania, indissociável da libertação do jugo imperialista, e para a solidariedade firme e fiel dos comunistas portugueses.

No Porto, os sons foram profundamente portugueses, sobretudo nortenhos e mirandeses. Composto por cinco jovens músicos, cruzandos instrumentos tradicionais como o bombo, a flauta ou a gaita de foles com bateria e guitarra eléctrica, Os Burricos interpretaram temas como As Sete Mulheres do Minho, A Saia da Carolina, Resineiro e A Carvalhesa, com a qual encerraram a sua actuação perante o entusiasmo geral.