- Edição Nº2358  -  7-2-2019

Mentiras, calúnias e provocações não intimidam nem calam o PCP

RESPOSTA O PCP reagiu a publicações da TVI, Observador e Visão notando o seu carácter difamatório e manipulador, e garante que vai continuar a sua intervenção.

Em notas divulgadas faz hoje uma semana, o Partido deu resposta à divulgação de peças que considera serem mentiras, calúnias e provocações deliberadas, da responsabilidade da revista Visão, do jornal electrónico Observador e da estação de televisão TVI.

Relativamente à peça difundida no Jornal das 8 pela emissora de Queluz de Baixo, o PCP realça que «tem tanto de ridículo como de repugnante», uma vez que se socorre de «laços de parentesco em que não há nenhuma relação de nexo entre as funções exercidas na direcção de uma IPSS pelo pai de João Ferreira e a actividade política deste».

O resultado é «uma narrativa absurda» que revela «até que ponto a TVI está disposta a ir», acrescenta-se, antes de se sublinhar que a narrativa «revela não só manifesta má-fé como dificuldades de convivência com lucidez».

Mais, para o Partido, «se dúvidas houvesse sobre a intenção difamatória com que se procurou atingir o Secretário-geral do PCP há quinze dias, o nível de idiotice de mais uma peça construída no espaço televisivo “Ana Leal”, põe a nu a total ausência de credibilidade que lhe deve ser atribuída». O que confirma «que a TVI decidiu acolher e consagrar como critérios editoriais a difamação, a manipulação e a calúnia».

No passado dia 1 de Fevereiro, o PCP dirigiu à Entidade Reguladora da Comunicação Social um protesto no qual a questiona sobre os procedimentos que pretende adoptar para fazer prevalecer critérios éticos e deontológicos que respeitem a verdade e o rigor na informação produzida», e não deixa de criticar a «inacção» da entidade, suscitando «naturais interrogações (…) quer quanto às razões como à utilidade da [sua] existência».

Observadores odiosos

Já relativamente ao texto colocado em linha pelo Observador, insiste-se que este se insere «numa operação mais vasta de provocação e difamação» que tem como alvo o PCP e «não olha a meios».

«O que o texto revela, para lá do seu cariz anticomunista, é algo particularmente inquietante do ponto de vista democrático – o Observador e os sectores mais reaccionários que atrás dele se escondem consideram (na esteira do mccartismo e da ditadura fascista de Salazar) que os comunistas não podem ter actividade empresarial, trabalhar ou ter funções na Administração Pública».

Por outro lado, «regista-se que o frenesim em curso, com disputa entre alguns órgãos de comunicação social para saber quem detém a liderança da difamação e suspeição gratuita, não é separável do ódio de classe que, quem os determina, nutre pelo PCP». Tal frenesim revela inconformismo «com a intervenção decisiva do PCP para interromper o projecto de subversão do regime democrático que esses sectores tinham como inelutável», salienta-se também

O Partido reafirma, depois, que «não só não se deixará intimidar (…) como manterá, por mais que isso custe a alguns, a sua intervenção pela construção de uma alternativa política onde se insere o combate ao capital monopolista».

Visão capciosa

A garantia é igualmente válida à luz das «mentiras e insinuações» que a revista Visão deu à estampa no mesmo período. Designadamente procurando «fazer crer que a Câmara Municipal do Seixal coloca os seus trabalhadores a fazer turnos no funcionamento da Festa do Avante!».

«O ridículo da afirmação só encontra explicação na má-fé que norteia a peça editada e na falta de escrúpulos de quem a constrói», prossegue o PCP, que esclarece que «o funcionamento da Festa do Avante!, nas suas diversas dimensões, é assegurado pelo trabalho militante e voluntário».

«Insinuar e procurar transformar as naturais responsabilidades das autarquias no ordenamento do território, na ocupação de espaços exteriores, nomeadamente a presença de feirantes e vendedores ambulantes no espaço público (cujas receitas são para a autarquia), no correspondente ordenamento e controle do trânsito, entre outros aspectos, em “turnos” na Festa do Avante!, é mentir e deturpar deliberadamente com a única intenção de caluniar a Festa do Avante! e o PCP».

De resto, o procedimento da CM do Seixal é aquele que adoptam a «generalidade das autarquias perante a realização de grandes eventos no seu território. Bastaria observar grandes festivais em diversos concelhos do País para se aquilatar a mesquinhez política e jornalística da peça [da Visão]».

«O que parece alimentar a Visão é o objectivo de, em vésperas de eleições, procurar atingir o PCP, o seu percurso de trabalho reconhecido na gestão de autarquias, os seus reconhecidos critérios éticos de rigor quando assumem responsabilidades. O que a Visão e outros não suportam é a dimensão cultural e política da Festa do Avante!», acusa-se.

O Partido explica, por fim, que a revista podia ter pedido esclarecimentos, mas «optou por não o fazer», bem como podia ter dado eco ao esclarecimento da CM do Seixal sobre a matéria, contudo «optou por dar expressão às conclusões que previamente tinha tirado».

A autarquia publicou no seu site uma nota em que «desmente e rejeita o teor e conteúdo da informação avançada pela revista Visão» e afirma que a colaboração prestada foi «no quadro das suas atribuições e sempre após deliberação em reunião de Câmara». A «maior parte das vezes até por unanimidade», frisa a edilidade.

A autarquia refere, além do mais,                                                                                  que «sempre que existem iniciativas no concelho que o justifiquem (...) é solicitado o envolvimento de trabalhadores da autarquia de diferentes serviços».

«Nunca nos perdoarão»

Intervindo no Encontro Nacional do PCP realizado no sábado em Matosinhos, Jerónimo de Sousa referiu-se às manobras mediáticas, com as quais procuram denegrir e manietar os comunistas, lembrando que «por detrás de cada calúnia lançada, de cada mentira difundida, de cada difamação propagada, esconde-se e disfarça-se o medo que os interesses dominantes, o poder monopolista e os seus serventuários, ostentam perante um Partido que aponta no seu projecto, sem rodeios, a liquidação dessa dominação».

Perante a «mentira e a cobardia», é, pois, «justa a nossa indignação», acentuou ainda o Secretário-geral do PCP, para logo em seguida chamar à atenção: «pensando por uns momentos, o que é que esperávamos, camaradas?».

«Batemos onde mais doeu aos interesses do grande capital monopolista, aos seus peões de brega, aos seus serventuários. Estragámos-lhes os planos que tinham para os mil e quinhentos dias de continuação da política de terra queimada, para poderem acabar com o resto nesse período. Pusemos em causa os seus interesses de classe e a execução acelerada da sua política de exploração e empobrecimento. Devolvemos ao povo português a esperança de que é possível uma vida melhor, de que é possível recuperar rendimentos e direitos, alguns deles tidos como perdidos para sempre.

Foi com a responsabilidade principal do PCP que se conseguiram esses avanços».

«Camaradas, eles nunca nos perdoarão por isso!», concluiu.