Decisão de Madrid foi imposta por Washington, escreve El País
EUA pressionaram Espanha a cessar diálogo com Maduro

IMPOSIÇÃO Washington informou previamente Madrid que Guaidó iria proclamar-se «presidente interino» da Venezuela. E pressionou a Espanha a reconhecê-lo e a romper o diálogo com o presidente Nicolás Maduro.

A administração estado-unidense informou antecipadamente o governo espanhol de que Juan Guaidó iria proclamar-se «presidente interino» da Venezuela e pressionou de imediato a Espanha e a União Europeia (UE) para que o reconhecessem e rompessem todos os canais de diálogo com o presidente Nicolás Maduro. A revelação foi feita pelo jornal El País, na sua edição do dia 1.

«Há muita pressão, não vos vou dizer de quem, mas podem imaginar, para que votemos contra a criação deste grupo», admitiu o ministro espanhol de Relações Exteriores, Josep Borrel, no Congresso, em Madrid, aludindo ao grupo da UE para propiciar o diálogo na Venezuela.

Conta o El País que, a 22 de Janeiro, o Secretário de Estado da Cooperação, Juan Pablo de Laiglesia, estava em Washington, onde se reuniu com a subsecretária de Estado para o Hemisfério Ocidental, Kimberly Breier, e com responsáveis do Conselho de Segurança Nacional. Os interlocutores do governante espanhol comunicaram-lhe que se avizinhavam «acontecimentos importantes» na Venezuela mas evitaram pormenores.

Esses chegaram no início da tarde de 23, através de um telefonema da embaixada estado-unidense em Madrid: «É provável que Guaidó se proclame presidente hoje e nós vamos reconhecê-lo».

O «vaticínio» cumpriu-se poucas horas depois. Numa manifestação em Caracas, convocada pela oposição, Guaidó proclamou-se «presidente interino» da Venezuela. Menos de um quarto de hora depois foi reconhecido por Donald Trump.

De acordo com El País, Josep Borrel reuniu-se a 24 com o embaixador dos EUA em Madrid, Duke Buchan III: «Segundo diferentes fontes, o representante de Trump transmitiu-lhe a importância que Washington atribui a Espanha e a Portugal na crise da Venezuela pela sua capacidade de arrastar o resto da UE. E apresentou-lhe duas exigências: que reconhecesse de imediato Guaidó como presidente legítimo e que renunciasse a manter qualquer canal de diálogo com Maduro».

Borrel admitiu no Congresso, em Madrid, no dia 30, que «os EUA fizeram-nos saber de que não há lugar a mais mediação, nem mais facilitação, nem mais conversações, nem mais nada». O objectivo é «quebrar todas as pontes, isolar Maduro e elevar a pressão para o fazer cair».




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