- Edição Nº2358  -  7-2-2019

Encontro Nacional do PCP marca arranque de um ano exigente

AFIRMAÇÃO Mais de duas mil pessoas deram corpo, sábado, ao Encontro Nacional do PCP, realizado em Matosinhos. A análise da situação, as perspectivas de luta, as batalhas políticas e eleitorais e a afirmação da política patriótica e de esquerda foram temas em destaque.

O Encontro Nacional do PCP que no passado sábado encheu por completo o Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos não foi apenas sobre eleições. Pela tribuna, em dezenas de intervenções, passaram a análise da situação nacional e internacional, os avanços alcançados e os limites que persistem, as propostas sectoriais e a política alternativa patriótica e de esquerda, o alargamento da luta de massas e o reforço da organização e intervenção do Partido.

Como é evidente, num ano marcado por três importantes batalhas eleitorais – Parlamento Europeu a 26 de Maio, Assembleia Legislativa da Madeira a 22 de Setembro e Assembleia da República a 6 de Outubro –, o Encontro foi também uma mola impulsionadora da acção eleitoral do colectivo partidário comunista. Se, para o PCP, as eleições não são um fim em si mesmo, elas representam momentos ímpares para afirmar propostas e soluções, congregar energias e vontades e acumular forças para prosseguir em melhores condições a luta pelos seus objectivos, consagrados no próprio lema do Encontro: «Alternativa Patriótica e de Esquerda. Soluções para um Portugal com futuro.»

A Resolução Política do Encontro, aprovada por unanimidade com alterações resultantes de propostas apresentadas ao longo do dia pelos participantes, resume o essencial do debate e das orientações dele resultantes (ver, na íntegra, nas páginas 12 e 13). A combatividade patente durante toda a jornada, com particular força e emoção durante os hinos, deu provas de um colectivo generoso e determinado.

Múltiplas batalhas
para um mesmo objectivo

Na abertura do Encontro, Paulo Raimundo, do Secretariado do Comité Central, realçou que as tarefas e batalhas que os comunistas têm pela frente em 2019 – «reforçar o Partido, dinamizar a luta, afirmar a CDU no quadro das batalhas eleitorais» – estão interligadas e têm de ser concretizadas de forma integrada. Todas concorrem para aquele que é o «desafio que está colocado aos trabalhadores, ao povo, aos democratas e patriotas», a construção de uma política alternativa «vinculada aos valores de Abril».

«Confiança e determinação» foram as expressões que o dirigente comunista utilizou para demonstrar de que forma os comunistas e os seus aliados do Partido Ecologista «Os Verdes» e da Associação Intervenção Democrática, para além dos muitos independentes que participam na CDU, irão participar nos três actos eleitorais. O objectivo, lembrou, é comum a todos eles: «o reforço da CDU em votos e em mandatos.» Paulo Raimundo apelou ainda a que se faça da campanha que «já aí está» uma «enorme acção política e de massas», assente na mobilização e esclarecimento dos trabalhadores e do povo.

Antes, o responsável na Comissão Política pela organização partidária no distrito do Porto, Jaime Toga, dera as boas-vindas aos mais de 2000 comunistas e amigos presentes naquela «terra de confiança e alegria, de trabalho e de luta» e valorizara a participação e envolvimento dos militantes e a «disponibilidade e colaboração» de diversas entidades locais nas múltiplas tarefas relacionadas com o Encontro. O resultado foi uma organização exemplar.

Um caminho comum

No Encontro, encerrado pelo Secretário-geral Jerónimo de Sousa (ver páginas 9 a 11), intervieram não só dirigentes, quadros e eleitos do PCP, mas também representantes das outras forças que integram a CDU. Pelo Partido Ecologista «Os Verdes», Mariana Silva, da Comissão Executiva, valorizou o caminho comum de «defesa dos interesses das mulheres e homens de Portugal e de um desenvolvimento sustentável», que é para continuar, como decidiu a recente 14.ª Convenção Nacional do PEV. Na CDU, garantiu, a «coerência e firmeza de princípios têm raízes, os valores falam mais alto, a seriedade é mais vincada, o apego ao bem comum está acima de tudo».

Da parte da Associação Intervenção Democrática (ID), o presidente João Geraldes considerou que a «melhor garantia que os portugueses têm para assegurar que continuamos a andar para a frente e não regressaremos aos velhos tempos das políticas anti-sociais e antidemocráticas do PSD e CDS-PP é dar mais força e mais representação ao PCP, ao PEV e à CDU no seu conjunto nas três eleições que irão realizar-se este ano».