- Edição Nº2354  -  10-1-2019

A ausência em Caracas

Nicolas Maduro toma hoje posse como Presidente da República Bolivariana da Venezuela. Foi eleito em Maio de 2018 com quase 6 milhões de votos. No passado dia 10 de Dezembro realizaram-se as eleições municipais. As forças que apoiam a revolução bolivariana conquistaram 90% dos conselhos municipais. As eleições foram realizadas num quadro de boicote e sabotagem económica e de uma estratégia da direita reaccionária e fascista e do imperialismo, de desestabilização e violência. Em 20 anos o processo bolivariano realizou 25 eleições e vários referendos. É um dos processos políticos mais escrutinado pelo voto em todo o Mundo. Todas as eleições contaram com observação internacional. Pela sua transparência e organização o sistema eleitoral venezuelano foi elogiado várias vezes por organizações internacionais.

A Venezuela é um importante parceiro comercial de Portugal, é um grande país, com importantes recursos, tem laços históricos profundos com Portugal e uma das maiores comunidades de emigrantes portugueses. Portugal marcou presença na tomada de posse de Bolsonaro. A invocação das relações de Estado com o Brasil e a importância da comunidade emigrante Portuguesa determinaram, segundo o próprio Presidente da República, a decisão da presença em Brasília. No caso da Venezuela acrescem a essas mesmas duas razões o facto de este País estar a ser alvo de ameaças várias, incluindo de agressão militar, nomeadamente por parte da Administração Trump e do Governo de Bolsonaro.

A decisão do Governo e do Presidente da República de Portugal de não se fazerem representar em Caracas, e de se esconderem por detrás da União Europeia, é um acto de abdicação nacional, de hipocrisia diplomática, objectivamente de alinhamento com o imperialismo. E isso é gravíssimo, porque contrário ao que determina a Constituição da República.



Ângelo Alves