Aconteu
Loures salva Palácio Valflores

Qualificado em 2015 como um dos 14 monumentos mais ameaçados da Europa, segundo uma lista divulgada pela principal organização europeia de património, o Palácio Valflores vai ser alvo de obras de recuperação e restauro. A iniciativa é da Câmara Municipal de Loures, que em 2016 avançou para candidaturas a fundos europeus com o objectivo de preservar e requalificar o edifício construído no século XVI, considerado um exemplo da arquitectura residencial renascentista em Portugal.

As intervenções orçadas em 1,2 milhões de euros estão divididas em três fases e prolongam-se até 2021. «Neste momento estamos na primeira fase, que permite consolidar a estrutura e impedir o colapso das paredes», o que ainda não sucedeu porque «o município instalou uma cobertura sobre o palácio que impede a sua erosão», explicou à Lusa o vice-presidente da autarquia, Paulo Piteira.

A CM de Loures pretende, ainda, valorizar o monumento do ponto de vista paisagístico e cultural, estando já no terreno a procurar parceiros que o permitam após a conclusão dos trabalhos que vão salvar o Palácio Valflores da ruína.


Vianna da Motta lembrado no CCB

Pianista, compositor, maestro e musicógrafo, Vianna da Motta (1868-1948) foi recordado domingo, 2, com um recital no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a cargo do pianista Artur Pizarro.

No ano em que se assinalam 150 sobre o nascimento de Vianna da Motta, o CCB lembrou aquele que é considerado «um dos maiores pianistas do seu tempo e um dos maiores artistas portugueses de que há memória», uma «personalidade de excepção» que deixou um legado ímpar «enquanto intérprete virtuoso, professor aclamado, pedagogo reformador, compositor inovador e intelectual de rara erudição».

Percursor do que se considera a composição com traços nacionais, Vianna da Motta, que foi entre 1919 e 1938 director do Conservatório Nacional, foi discípulo do pianista e compositor Franz Liszt, que lhe reconhecia um talento especial. Aliás, o português foi com Ferruccio Busoni (1866-1924) um dos intérpretes do recital de homenagem por ocasião dos 14 anos da morte do músico húngaro, realizado em Weimar, na Alemanha, em 1900.

O recital do passado domingo evidenciou, ainda, uma linha de continuidade de uma escola que remonta a Ludwig van Beethoven, uma vez que o grande mestre alemão ensinou Karl Czerney, que foi professor de Liszt, o qual, posteriormente, o foi de Vianna da Motta, que por sua vez teve como discípulo Sequeira Costa, de cujo Artur Pizarro foi aluno.


Boicote à Eurovisão

Um conjunto de artistas nacionais apelaram à RTP para que, «aja dentro da EBU-União Europeia de Radiodifusão para que o Festival [da Eurovisão] seja transferido para um país onde crimes de guerra - incluindo assassinatos de jornalistas - não são cometidos e, caso contrário, se retire completamente do Festival de 2019». Em causa está a realização do certame em Telavive, Israel.

A carta aberta conta entre os seus signatários com a escritora Alexandra Lucas Coelho, a artista plástica Joana Villaverde, a cantora Francisca Cortesão, os actores João Grosso, Maria do Céu Guerra e Manuela de Freitas, a pintora Teresa Dias Coelho, a cineasta Susana Sousa Dias, o fotógrafo Nuno Lobito, o músico José Mário Branco e o director artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues. Estes dois últimos, informa ainda a Lusa, haviam já assinado uma missiva de apoio a um apelo semelhante promovido por organizações culturais palestininas.

Os subscritores do apelo à RTP notam, igualmente, que o Festival da Eurovisão «não combina com Apartheid», e sublinham que ao confirmar a participação na iniciativa em 2019, a estação de televisão pública portuguesa «confirma a sua disposição, em nome do entretenimento, de encobrir a ocupação israelita do território palestiniano e a contínua negação dos direitos humanos do povo palestiniano».

Os subscritores da carta aberta recordam, também, que iniciativa semelhante foi levada a cabo nos anos 80 como forma de denúncia e pressão internacional sobre o regime de apartheid que então vigorava na África do Sul, e reiteram que «não queremos tornar-nos cúmplices das violações dos direitos humanos do povo palestiniano. Queremos antes chamar a atenção do mundo para a colonização, que a cada ano se torna mais violenta».


Reggae é Património Imaterial e a Morna não regista reparos

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla inglesa), inscreveu, na quarta-feira, 28, o Reggae na lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade, salientando a sua «contribuição» para a consciência colectiva «sobre questões de injustiça, resistência, amor e humanidade». A música que teve como expoentes artistas como Bob Marley e Peter Tosh (na foto, respectivamente à esquerda e à direita do vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger), é reconhecida pela UNESCO como essencial na preservação de funções sociais básicas da música, que nota, igualmente, que na Jamaica o ensino do Reggae «está presente das creches até às universidades».

Entretanto, na passada segunda-feira, 3, Dia Nacional da Morna em homenagem a Francisco Xavier da Cruz, mais conhecido por B. Léza (1905 - 1958), considerado um dos maiores compositores daquele género musical, o ministro da Cultura de Cabo Verde informou que a candidatura da Morna ao mesmo estatuto que o Reggae não regista qualquer reparo por parte da UNESCO.



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