O PCP é presença regular junto à Somincor e à Almina
PCP reforça-se nas entranhas da terra

ORGANIZAÇÃO O Partido tem em funcionamento duas células em grandes empresas do sector mineiro: a Somincor, em Neves Corvo, e a Almina, em Aljustrel, nas quais trabalham de forma regular quase 3000 mil pessoas.

Pela sua dimensão e importância estratégica no quadro do aparelho produtivo regional, as duas empresas de extracção mineira foram há muito assumidas pela Organização Regional de Beja do PCP como prioritárias para a intervenção partidária. A presença do Partido junto dos mineiros, aliás, vem de há décadas, acompanhando os altos e baixos das duas empresas e assumindo-se sempre como mola impulsionadora da luta destes trabalhadores pelos seus direitos.

Como revelou ao Avante! Miguel Violante, membro do Comité Central e responsável, na Direcção da Organização Regional de Beja do PCP, pelo sector mineiro, as duas células reúnem com regularidade, o que em si mesmo representa um feito não isento de dificuldades: «Uns trabalham por turnos, outros aos fins-de-semana, não conseguimos juntar sempre todos os camaradas», esclarece o dirigente, realçando os esforços feitos para garantir as condições necessárias ao funcionamento das células.

Que estes esforços dão frutos provam-no desde logo a distribuição do Avante! na Somincor e na Almina e a edição regular de boletins específicos pelas duas células, nos quais se aborda os problemas das empresas e do sector, destaca as posições, propostas e iniciativas do Partido e mobiliza os mineiros para a luta organizada pelos seus direitos.

O funcionamento regular das células permite ainda ao Partido conhecer melhor os problemas concretos de cada uma das empresas e intervir sobre eles, «alimentando» assim a presença regular de dirigentes, deputados e autarcas do Partido junto aos portões das duas empresas. «Vamos lá pelo menos uma vez por mês», valoriza Miguel Violante.

PCP reforça a luta
e reforça-se nela

«Sem a presença do Partido dentro e à porta das empresas não teríamos os trabalhadores tão conscientes», salienta o membro do Comité Central, lembrando a intensa intervenção partidária que antecedeu – e em muito contribuiu – para as poderosas greves realizadas nas duas minas há cerca de um ano. Para Miguel Violante, a elevada participação dos trabalhadores nas greves e a unidade e tenacidade que demonstraram é, em grande medida, resultado de toda esta intervenção partidária.

Na Almina, nos três últimos meses do ano passado, os trabalhadores realizaram greves de uma semana contra a precariedade, por aumentos salariais e em defesa do Acordo Colectivo de Trabalho. Durante o período de paralisação, manifestaram-se todos os dias no centro da vila de Aljustrel: «há anos que não havia nada assim», realça Miguel Violante, para quem o impacto da paralisação foi tal que a administração «acusou o toque», pressionando e reprimindo muitos dos trabalhadores que nela estiveram envolvidos. Já na Somincor, a greve de uma semana centrou-se numa importante reivindicação: a diminuição da idade da reforma.

Os militantes comunistas das duas empresas estiveram profundamente envolvidos na preparação e realização das greves e, a nível institucional, foi o PCP o primeiro a solidarizar-se com a luta dos mineiros e a levar as suas reivindicações à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu.

Foi no rescaldo destas lutas, quando nas minas se vivia um ambiente muito combativo, que as organizações do PCP na Somincor e na Almina começaram a implementar as decisões assumidas em Janeiro desde ano pelo Comité Central relativas ao reforço do Partido. No âmbito da campanha dos 5000 contactos foram já recrutados dois mineiros na Somincor, havendo ainda muitos contactos por concretizar. Para Miguel Violante, estas novas adesões mostram que há campo para o Partido crescer, mesmo onde já conta com organizações sólidas, activas e prestigiadas.

Na Almina, verificou-se um grande aumento da sindicalização, o que abre portas ao reforço da capacidade de resistência e luta dos trabalhadores. É precisamente entre os que mais se destacaram nas lutas recentes que se encontram os 12 trabalhadores que o Partido pretende ainda contactar.




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