É com a luta que se conquista e defende direitos

TRABALHADORES Jerónimo de Sousa participou no sábado, 3, num almoço promovido pela célula do PCP na Fiequimetal, federação da CGTP-IN que agrupa os sindicatos dos principais sectores industriais. O Secretário-geral reafirmou, aí, que «foi e será a luta dos trabalhadores que conquistou cada direito, cada avanço»

O refeitório da Quinta da Atalaia, onde são servidas as refeições durante a implantação da Festa do Avante!, encheu-se na tarde de sábado de dezenas de actuais e antigos dirigentes, delegados e activistas sindicais (e suas famílias), que participavam no almoço anual da célula do PCP na Fiequimetal. Nas intervenções de Jerónimo de Sousa e do coordenador da Federação, Rogério Silva, como nas animadas conversas à mesa, foi sobretudo de luta que se falou. O contrário é que seria de estranhar, ou não fossem os presentes muitos dos que organizam e animam a luta nas empresas por aumentos salariais, por horários dignos, pela contratação colectiva, por locais de trabalho humanizados, contra a precariedade.

O assunto era profícuo, pois nos últimos meses registou-se uma intensa actividade reivindicativa nos sectores reunidos na Fiequimetal. Da indústria automóvel à energia, das indústrias eléctricas ao sector mineiro, da metalurgia aos gráficos, foram muitas as lutas travadas e vitórias alcançadas, e Rogério Silva referiu-se a algumas delas. No sector automóvel, por exemplo, os trabalhadores resistem à desregulação dos horários, com que se pretende acompanhar a incorporação de avanços tecnológicos. Para o sindicalista, «não somos contra os avanços, mas queremo-los ao serviço do Homem e não dos lucros». Em empresas e sectores como a Águas de Portugal, a imprensa diária e a ourivesaria, na sequência de intensos processos de luta, a Federação assinou acordos favoráveis aos trabalhadores.

Em seguida, coube a Jerónimo de Sousa reafirmar algo que os presentes sabem por experiência própria: que é na «acção reivindicativa nas empresas e locais de trabalho, no envolvimento dos trabalhadores na reclamação daquilo que é seu por direito, que reside o chão mais sólido para conseguir objectivos e conquistas». A curto prazo, acrescentou, a tarefa principal é canalizar «todas as denúncias, todos os protestos, todas as reivindicações» para a manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 15, em Lisboa, na qual devem participar «os mais ou menos jovens, os que têm vínculo precário ou efectivo, os homens e mulheres do sector privado ou público, mas também os reformados e pensionistas e as populações, com as suas reivindicações próprias».

Avanços e limitações

Para o Secretário-geral do PCP, os avanços alcançados nos últimos anos, embora limitados e insuficientes, «significam uma pesada derrota para os que, durante o governo anterior, afirmaram que todas as malfeitorias, retrocesso social e assalto aos direitos eram inevitáveis». Ao mesmo tempo, acrescentou, contradizem as teses que apontavam para uma evolução negativa na economia e no emprego.

Quanto aos que consideravam errada a intervenção do Partido para afastar PSD e CDS do governo, numa aproximação à tese do «quanto pior, melhor», Jerónimo de Sousa lembrou aquele que é um ensinamento da experiência da luta do movimento operário ao longo de décadas: «um avanço, uma vitória limitada que fosse, dava mais ânimo à luta e aos lutadores. O desespero e o empobrecimento são fonte de conformismo.»

Depois de ter dado a conhecer os avanços e limitações presentes no Orçamento do Estado para 2019 – aprovado na generalidade, dias antes, com os votos favoráveis do PCP – e as propostas que o Partido avançará na especialidade, o dirigente comunista reiterou que a luta por objectivos imediatos «não perde de vista e é indissociável da necessidade de uma política alternativa e uma alternativa política».

Alternativa patriótica
e de esquerda

A política do Governo minoritário do PS, sublinhou o Secretário-geral comunista, está «crescentemente enredada em paralisantes contradições que impedem a resolução de muitos problemas nacionais». É particularmente relevante a sua opção de «manter o País acorrentado às imposições da União Europeia e seus instrumentos de ingerência». Para Jerónimo de Sousa, impõe-se assegurar a ruptura com a submissão e retrocesso nacional e concretizar uma política patriótica e de esquerda.

Esta política, adiantou, tem como eixos essenciais a valorização do trabalho e dos trabalhadores, a libertação do País da submissão ao euro e às imposições da União Europeia, a renegociação da dívida e a recuperação para o País dos seus recursos e sectores estratégicos, o aumento da produção e uma melhor distribuição da riqueza criada. «É este caminho, é esta alternativa de futuro de que Portugal necessita, é por esta política, pela democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, que o PCP luta e lutará.»




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