Aprovada comissão de inquérito ao caso de Tancos

A comissão de inquérito ao furto de armas nos paióis de Tancos, em 2017, foi aprovada sexta-feira, 26, com as abstenções de PCP e PEV e os votos favoráveis das restantes bancadas. O âmbito do objecto de investigação, nomeadamente o período a abranger, dividiu as bancadas na discussão em plenário realizada na antevéspera. Enquanto PSD e CDS querem só apurar as consequências e responsabilidade políticas a partir do momento em que os factos ocorreram, o PCP considera que o âmbito do inquérito nos termos propostos é limitado quanto ao seu alcance, defendendo o seu alargamento e a averiguação dos factos não apenas a partir de Junho de 2017, como propôs o CDS, mas também os ocorridos anteriormente ao desaparecimento do material militar da base de Tancos. A isto acresce a circunstância de muitos dados estarem ainda no âmbito do processo judicial, sob segredo de justiça, pelo que só após a acusação é que deles haverá conhecimento público que permita acrescentar informação aos trabalhos do Parlamento. No debate, o deputado comunista Jorge Machado referiu-se ao caso como sendo de «enorme gravidade» e lembrou que o PCP desde a primeira hora que sublinha a necessidade de apurar todos os factos e responsabilidades. Desde logo, explicitou, do ponto de vista criminal (que compete aos tribunais), mas também responsabilidades políticas de sucessivos governos que deixaram degradar instalações militares de Tancos, incluindo o actual, bem como responsabilidades da «alta estrutura deste ramo das Forças Armadas». Jorge Machado esclareceu, por outro lado, que o PCP não alinha na ideia segundo a qual «o que se passa dentro das instituições deve ficar no seu interior», vendo por isso com naturalidade e como positivo o funcionamento da Justiça. Sobre as demissões já ocorridas do ministro da Defesa e do Chefe do Estado-Maior do exército, o parlamentar comunista rejeitou que daí possa haver leituras que signifiquem qualquer diminuição na necessidade de apurar responsabilidades. «O que aconteceu ultrapassa em muito estes dois titulares e há muitos factos que importa esclarecer», reiterou.



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