• Domingos Mealha

A ruptura que faz falta obtém-se com a luta

Os avanços alcançados após as eleições de Outubro de 2015 resultam de medidas limitadas do Governo do PS e só com o prosseguimento da luta e o reforço do PCP será possível romper com a política de direita e avançar para uma justa distribuição da riqueza que o trabalho produz.
Esta ideia sobressaiu no debate Valorizar o trabalho e os trabalhadores – Luta reivindicativa e legislação laboral, que teve lugar no sábado, ao final da tarde, no Fórum do Espaço Central.
Francisco Lopes, que moderou, recordou que o PS nunca prefere os interesses dos trabalhadores aos do capital, excepto quando condicionado. A actual fase desmentiu a pregação de que o País só se desenvolveria com redução de salários e direitos, assinalou o membro dos organismos executivos do Comité Central do PCP. Tal tese, repetida desde 2011 e aplicada pelo governo PSD/CDS, provocou retrocesso social, recessão económica e aumento do desemprego. Medidas limitadas de reposição de direitos e rendimentos, desde 2016, vieram melhorar as condições de vida de muitos milhares de trabalhadores e também tiveram efeitos positivos na economia e na redução do desemprego.
Valorizar o alcançado e continuar a lutar é indispensável para combater e eliminar a injustiça na distribuição da riqueza, assinalou João Torres, membro do Comité Central do Partido e dirigente da CGTP-IN. Se o PS tem demonstrado que mantém a sua opção de classe, não bastando dizer-se de esquerda para deixar a política de direita, os trabalhadores têm lutado pelas suas reivindicações e de forma crescente continuarão a convergir pela valorização do trabalho.
Na defesa dos direitos dos trabalhadores comprova-se quem é de esquerda, notou Rita Rato. A deputada do PCP na AR observou que os trabalhadores têm de lutar por direitos que estão inscritos na Constituição, enquanto sucessivas alterações à legislação laboral têm ido no sentido de restringir o que foi conquistado.
Os jovens exigem estabilidade para serem felizes, destacou Helena Casqueiro, dirigente da JCP. Apesar dos elevados níveis de precariedade e dos baixos salários, a luta desenvolve-se em empresas e sectores, como os call-centers, e nas ruas, em especial nas manifestações nacionais que há alguns anos assinalam o Dia da Juventude.

 

No PE como em Portugal

Os deputados do PCP no Parlamento Europeu são os que mais se têm batido pelos trabalhadores, transportando para aquele órgão uma componente que marca a intervenção do Partido, como foi salientado no início do debate A defesa dos trabalhadores e do País e a acção do PCP no Parlamento Europeu, sábado à noite, no Fórum.
Realizado a poucos meses das eleições para o Parlamento Europeu (PE) e moderado por Inês Zuber, do Comité Central do Partido, que foi deputada de 2012 a 2016, nele intervieram os deputados João Ferreira (do CC do PCP), Miguel Viegas e João Pimenta Lopes, e ainda Ângelo Alves, da Comissão Política do CC do PCP.
A iniciativa destacou a intervenção dos deputados do PCP no PE em defesa dos trabalhadores e do povo, acentuando que os problemas do País colocam a necessidade de enfrentar as imposições e chantagens e romper com a política de submissão à União Europeia (UE), ao euro e à União Económica e Monetária.
O PCP e os seus deputados procuram minimizar impactos negativos e contribuir para a resolução de problemas concretos, ganhar as massas para a luta, considerando que, como processo de integração capitalista e de domínio das maiores potências, esta UE já demonstrou que não é reformável.
Para um Portugal desenvolvido e soberano, que contribua para uma Europa dos trabalhadores e dos povos, há que reforçar o PCP. As eleições de Maio, para o PE, e de Outubro, para a AR, são encaradas de forma integrada, de modo a responsabilizar os demais partidos por aprovarem decisões da UE que prejudicam o interesse dos trabalhadores, do povo e de Portugal.

 



 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: