• Manuel Augusto Araújo

Artes plásticas
O que nos torna mais humanos

Este ano foi ano intercalar entre bienais. Um lapso temporal em que foi decidido que se continuaria a ocupar o mesmo espaço preenchendo-o de forma diversa, sabendo-se de ciência certa que as artes visuais são uma parcela dos saberes e do saber fazer que é o que define a cultura enquanto instrumento que transforma a vida e nos torna mais humanos.

A sua presença na Festa é também marcar presença na primeira linha da frente de luta pela cultura, contra a sua instrumentalização, que nesta sociedade é utilizada como um exercício elitista de distinções, um empilhamento cego de conhecimentos, a lapidação de um suposto gosto, um verniz para a fazer luzir.

A opção para o espaço das artes visuais foi o de o organizar em três espaços distintos com exposições diversificadas. Uma das mais extensas era a dedicada à medalhística do escultor João Duarte, que este ano comemora 40 anos de actividade. Se a renovação da produção de medalhas em Portugal é anterior a João Duarte, foi ele o grande impulsionador da expressão plástica da medalhística e a dois níveis: o do seu trabalho individual e o da sua prática de professor.

Esta exposição, além de revelar a excepcionalidade artística do escultor, é um excelente exemplo de como se pensa a medalha liberta dos constrangimentos da bi-face e a transforma numa escultura com uma dimensão que a faz poder ser encerrada numa mão. João Duarte pela sua inesgotável imaginação e pelo seu imenso saber oficinal é o que se pode apelidar de medalhúrgico. São centenas as medalhas que já produziu com grande reconhecimento nacional e internacional, pelo que foi galardoado com um prémio que na medalha é o equivalente do Pritzer na arquitectura ou do Nobel na literatura. Extra exposição fez uma medalha comemorativa desta edição da Festa do Avante!, que ofereceu ao PCP.

No espaço seguinte conviviam a pintura de Alfredo Luz e Acácio Malhador, fotografias de Ana Teixeira sobre a peça de teatro A Jangada de Pedra do grupo O Bando e esculturas de Ana Lima Neto, Sérgio Vicente e Virgínia Fróis.

As fotos de Ana Teixeira eram um excelente registo fotográfico com plasticidade que ultrapassava o simples registo. Num patamar de excelência as esculturas de Virgínia Fróis e Sérgio Vicente em terracota e materiais cerâmicos. Interessantes os trabalhos de Ana Lima Neto, em polímeros pintados, e as pinturas de Acácio Malhador e Alfredo Luz que nos colocavam perante outros universos a excitar curiosidades.

O último espaço era ocupado por Galdéria – take away tour. O trabalho deste colectivo tem uma relação estreita com a Escola Superior de Arte e Design e o Centro de Artes, ambos das Caldas da Rainha. O seu projecto é fazerem edições de serigrafia de artistas convidados, com uma forte componente na ilustração e uma relação imediata com o público, como o fizeram durante os dias da Festa, cumprindo os objectivos que se propuseram desde que há 18 anos iniciaram a sua actividade.




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