- Edição Nº2337  -  13-9-2018

Intervenção de Francisco Araújo
A Festa que a juventude fez sua

Viva a Festa do Avante! A festa da vida, da arte e da cultura, da música e da literatura, do desporto e da alegria, da amizade e da solidariedade! Inseparável do nosso projecto de sociedade, esta é a festa que se constrói e vive como a festa da juventude, dos trabalhadores e do povo, a festa que a própria juventude faz sua!

Uma forte e fraterna saudação a todos e cada um, particularmente aos jovens, que entre a divulgação e a venda da EP, a montagem das estruturas e dos balcões, a pintura dos murais e os turnos de serviço, corresponderam às 1001 tarefas que se impunham e que permitem que desfrutemos todos desta grande festa.

Saudamos ainda os jovens dos países das delegações aqui presentes e reafirmamos o nosso compromisso com a Federação Mundial da Juventude Democrática, com a luta anti-imperialista e pela paz. Uma luta imprescindível hoje como ontem, e que ficou reinscrita na história com o 19.º Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes em Sochi.

Aqui e sempre, denunciamos a estratégia criminosa de saque e destruição dos EUA, da NATO e dos seus aliados. Daqui reafirmamos que quem quer a paz não faz a guerra. Quem se diz defensor da democracia para os povos, não é adversário da sua soberania e justas aspirações. Aqui e sempre, reclamamos o direito de todos a viver livres e em paz nos seus países.

É pela luta que lá vamos

É com muita confiança que dizemos que também no nosso País, é pela luta que lá vamos! Se sabemos que o conjunto de avanços alcançados para os jovens é ainda limitado, não fazemos tábua rasa das conquistas dos últimos três anos, conquistas que são resultado da luta e da iniciativa do PCP e da JCP. Valorizamos a gratuitidade dos manuais escolares e o congelamento da propina pela primeira vez em duas décadas. Valorizamos o fim dos exames nacionais nos 1.º e 2.º ciclos, entre tantas outras medidas positivas.

Mas sabemos, camaradas, que é tão urgente como possível ir mais longe. Enquanto não virmos cumprido o direito à educação pública, gratuita e de qualidade e atacarem a participação democrática dos estudantes e enquanto houver um Ensino apenas para quem pode pagar, a JCP estará todos os dias a resistir e lutar. Enquanto o Ensino Profissional for tratado como uma via menor e os estudantes, forem tratados como mera mão de obra barata para as empresas e virem negados os seus direitos, a JCP estará todos os dias a resistir e lutar.

Enquanto a escolha for entre a precariedade e o desemprego, enquanto procurarem generalizar horários desregulados ou o mês tiver dias a mais para cada salário, a JCP estará todos os dias a resistir e lutar. Enquanto vierem com a ladaínha de que temos de nos adaptar, que a instabilidade e flexibilização das relações laborais são marcas do nosso tempo e de modernidade, a JCP estará a esclarecer e a devolver esperança e confiança na luta e no futuro!

À juventude dizemos: não tenham dúvidas sobre quem vos defende, poderão sempre contar com a JCP e o PCP, com o seu papel determinante na organização e dinamização da luta consequente e transformadora. Em cada jovem comunista está resistência, está movimento, discussão e acção. Com cada um, decerto estarão muitos outros a cerrar fileiras na luta.

Responsabilidade e orgulho

Sermos jovens comunistas é uma responsabilidade que nos orgulha, que nos faz assumir a intervenção diária e o contacto e mobilização de jovens para a acção nas nossas escolas já a partir do início do ano lectivo; e, nas empresas e locais de trabalho, preparando o Encontro Nacional dos Jovens Trabalhadores em Janeiro do próximo ano; e ainda pelo direito à cultura, à habitação, ao desporto, ao lazer e pela defesa do associativismo.

Saímos desta Festa mais reforçados para este exigente trabalho, acompanhados dos mais de 150 jovens que aderiram à JCP ou deixaram o seu contacto nestes três dias. A cada um de vós e a muitos mais dizemos que contamos convosco na luta que continua, para provar que este sistema que pende sempre para o lado dos mais fortes, que se alimenta da guerra, da injustiça e da exploração, tem os seus dias contados.

Afirmamo-lo dois séculos depois do nascimento de Karl Marx: «Marx, que em estreita colaboração com Engels – como nos dizia Álvaro Cunhal – deu à classe operária, aos povos, a todas as forças do progresso, um poderoso instrumento de análise e uma arma de luta e combate.» É por isso, porque sabem que as suas ideias lhes serão fatais, que Marx é varrido dos manuais escolares e das televisões, que a lengalenga contra o socialismo é repetida tantas vezes que já não sabemos se é para convencer quem ouve, se os próprios que a dizem.

Sabemos que é uma batalha difícil, mas somos a Juventude Comunista Portuguesa. E com a convicção e a alegria que sabemos latente em cada um dos jovens portugueses, trabalharemos pela concretização de uma política patriótica e de esquerda e uma democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, a construção da sociedade socialista rumo ao comunismo.