Com a degradação, sustentam
na opinião pública
a privatização
ORT lançam movimento pelo serviço público ferroviário

URGÊNCIA A situação dos ferroviários e do caminho-de-ferro exige «acção enérgica imediata», defendem as organizações representativas dos trabalhadores, numa declaração conjunta aprovada dia 1.

«O estado a que o sector chegou vem dar razão às posições que ao longo de muitos anos foram assumidas pelas organizações dos trabalhadores e que se mantêm actuais», afirma-se no documento saído de uma reunião em que participaram representantes das comissões de trabalhadores da CP, da EMEF e da IP, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) e do seu sindicato ferroviário (SNTSF), e ainda dos sindicatos SNAQ, Sinfese, Siofa, Sinfa e Assifeco.
Esta declaração conjunta «irá circular pelas outras organizações não presentes, assim como pelas organizações de utentes, de forma a que seja lançado um amplo movimento em defesa do transporte ferroviário», informou a Fectrans, que tomou a iniciativa de promover a reunião de representantes.
As ORT decidiram realizar, de 13 a 24 de Agosto, «uma campanha de esclarecimento e mobilização da opinião pública, nas principais cidades do País». A partir de 20 de Setembro, vão promover «acções em todo o País, na forma de tribunas públicas, concentrações, etc.», terminando no dia 3 de Outubro, em Lisboa, com «uma concentração-manifestação de organizações e trabalhadores ferroviários e organizações de utentes».
Ficou também previsto um «Fórum Ferroviário, a 24 de Outubro, para debater «as questões do transporte ferroviário, na óptica do reforço da componente social, ao serviço do País e das populações e com os ferroviários».

Basta de promessas repetidas

«Não se resolvem os problemas de hoje com promessas de investimentos para amanhã que, apesar de necessários e urgentes, vão sendo sistematicamente adiados», protestam as dez estruturas, sublinhando que, em vez de «repetir as mesmas promessas, cada vez que trabalhadores e populações se manifestam em defesa do transporte ferroviário», «é necessária acção enérgica imediata».
Na declaração conjunta, face aos «acontecimentos das últimas semanas» (supressões de comboios e atrasos na circulação, sobretudo por estarem composições imobilizadas devido a problemas de manutenção), as ORT reafirmam as suas reivindicações, designadamente:

Um plano nacional de transportes que defina o que compete a cada modo de transporte, articulados complementarmente entre si, de modo a levar o transporte público a todo o País;
Medidas concretas de investimento na ferrovia com vista a modernizar as infra-estruturas, o material circulante e as instalações;
Admissão de trabalhadores para todas as empresas do sector, de modo a melhorar a sua capacidade de resposta;
Em toda a rede, horários que correspondam às reais necessidades da população;
Aprofundamento de uma política tarifária que torne universal o acesso e incentive a transferência da utilização do transporte individual para o transporte público;
Recolocação de todo o sistema ferroviário sob um comando único e pondo em primeiro lugar os ganhos para o País e o serviço prestado.

 

A origem... e o objectivo

«A degradação de todo o sector ferroviário decorre de um conjunto de políticas erradas, assente no desmembramento da CP em diversas empresas que, uma vez separadas, passaram a ter como objectivo os resultados individuais de cada ano, em detrimento do funcionamento do conjunto do sector comprometendo a componente pública do transporte ferroviário, a sua segurança, modernização e desenvolvimento.
Simultaneamente, os governos reduziram sistemática e continuamente as verbas para manutenção da infra-estrutura e do material circulante (e muito menos para aquisição de material circulante novo) o que hoje se manifesta na degradação do serviço, com constantes supressões e atrasos, sendo cada vez mais difícil conseguir cumprir os horários programados.
Nesta política de desinvestimento reduziu-se continuamente o número de trabalhadores, ao mesmo tempo que se tentou melhorar artificialmente os resultados financeiros de algumas partes do sector (à custa do prejuízo de outras e da qualidade do serviço), tudo com o objectivo de facilitar a privatização das partes com maior potencial de lucro.»

Excerto da declaração conjunta das ORT



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