Professores lutam dispostos a negociar

A greve dos professores às avaliações continua a mostrar a disposição combativa dos docentes. Em declarações à comunicação social na manhã de anteontem, Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, sublinhou que os dados apurados em vários distritos, incluindo o de Lisboa, indicavam que «no total só duas reuniões foram realizadas», excluindo, naturalmente, aquelas que ocorreram devido aos serviços mínimos entretanto decretados por um tribunal arbitral (referentes ao 9.º, 11.º e 12.º anos).

Os sindicatos consideram ilegais os serviços mínimos e o presidente da Associação de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, juntou-se à contestação, no final da semana passada, lembrando que aqueles «só beneficiam o Governo». Perguntou, ainda, se «custa alguma coisa ao Ministério da Educação (ME) chamar os sindicatos para uma reunião?».

Nas declarações recolhidas pela SIC Notícias à porta da Escola Secundária Marquesa de Alorna, disponíveis no sítio da Internet da CGTP-IN, Mário Nogueira realçou que as reuniões estão a ser efectuadas de «uma forma que pode levar os pais a impugnarem as notas». O dirigente sindical salientou, contudo, que isto não é o fundamental. «A questão principal», notou, é que «ainda ontem [segunda-feira, 2] estivemos no ME para entregar uma carta aberta e reiterar» a disponibilidade para «a negociação que o sr. ministro diz estar disponível para retomar».

«Vamos a isso», insistiu Mário Nogueira, que, por outro lado, revelou que «na posse dos sindicatos estão já largos milhares de respostas positivas» ao prosseguimento do protesto e à manutenção da sua reivindicação central (a contagem, para efeitos de progressão na carreira, dos nove anos, quatro meses e dois dias de serviço congelados).

Mário Nogueira referia-se a um inquérito enviado aos docentes pelas dez organizações que convocaram as greves às avaliações e cuja divulgação final está prevista para hoje, quinta-feira, 5. Com o questionário pretendeu-se apurar como e em torno de quais objectivos concretos os professores entendem que deve prosseguir a acção reivindicativa e o diálogo com a tutela.

O que pode ser alvo de apreciação nas negociações não é a restituição integral do tempo de serviço prestado, mas a forma e o período pelo qual se estende essa recuperação, havia já clarificado Mário Nogueira em conferência de imprensa no passado dia 28 de Junho.

Na segunda-feira, 2, Mário Nogueira acusou Tiago Brandão Rodrigues de «mandar recados pela comunicação social» e de ter dito «na Assembleia da República que quer negociar», mas de se esquecer «que tem de enviar uma convocatória».

Para além do modo e do tempo de contagem do tempo de serviço, os sindicatos docentes apontam como seus propósitos a negociação de regras específica de aposentação, o rejuvenescimento e estabilização da profissão pela regularização dos horários e vínculos, e concursos de colocação justos e transparentes.




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