Alerta dos enfermeiros sobe de tom

As greves, concentrações e plenários de enfermeiros, a nível de instituições de Saúde, prosseguem com muito elevados níveis de participação. Demonstram a urgência de contratar mais profissionais, pelo estado em que hoje se encontram os serviços e pelas implicações que terá a aplicação, a partir de 1 de Julho, da semana de 35 horas aos enfermeiros em regime de contrato individual de trabalho. Comprovam ainda a unidade e a determinação para prosseguir esta luta, decidindo mesmo novas acções.

No Hospital de Santarém, anunciou o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, no dia 1, foi decidido em plenário avançar para uma greve de três dias, desde as 8 horas de anteontem, dia 5 (com concentração na entrada do hospital), até às 24 horas de hoje (com cordão humano de profissionais e utentes de Saúde, às 11 horas).

Também no dia 1, com greve de duas horas no Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, realizou-se uma concentração frente ao Hospital São Francisco Xavier. Aos jornalistas, uma dirigente do SEP/CGTP-IN confirmou que já há carência de enfermeiros e acumula-se a dívida por trabalho em feriados e para lá do horário normal. Mas, assinalou Isabel Barbosa, citada pela agência Lusa, o prejuízo afecta ainda a progressão na carreira, seja porque estão à partida excluídos dois terços dos enfermeiros do CHLO (em contrato individual de trabalho), quer porque ao terço restante não é contabilizado todo o tempo congelado.

Só para dar resposta à justa generalização da aplicação das 35 horas semanais, são precisos mais dois mil enfermeiros a nível nacional, adiantou a dirigente, recusando que a falta se resolva com encerramento de serviços ou acumulação de horas extraordinárias em excesso.

No dia 4, segunda-feira, ocorreu uma concentração de enfermeiros do Centro Hospitalar Tondela-Viseu à porta do hospital da capital do distrito, durante duas horas, ao final da manhã. Com serviços onde o número de enfermeiros está abaixo do recomendável, o que tem reflexos na prestação de cuidados, o SEP defende a urgente contratação de uma centena de profissionais. A posição do sindicato foi reforçada com um abaixo-assinado subscrito por 435 enfermeiros.

Na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, a greve de enfermeiros durante todo o dia 30 de Maio teve adesão superior a 80 por cento, informou o SEP. Ao fim da manhã realizou-se uma concentração no exterior do Hospital Pedro Hispano. Com 23 mil horas em dívida, a ULS encerrou já 15 camas e admite aumentar este número. Como noutras instituições, também aqui o Governo não autorizou ainda a contratação de profissionais para responder a necessidades urgentes, como a substituição de enfermeiros ausentes e o impacto da aplicação das 35 horas semanais.

 



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