O abono de família é direito de todas as crianças
PCP celebra Dia da Criança com teatro e intervenção

INFÂNCIA O PCP assinalou, a 1 de Junho, o Dia da Criança, com a entrega de quatro iniciativas parlamentares e uma ida do Secretário-geral a uma peça de teatro para a infância, inserida no Festival Sementes.

Foi à saída do espectáculo Ratsódia, apresentado pelo Teatro Extremo na sala do Teatro Estúdio António Assunção, em Almada, que Jerónimo de Sousa anunciou o conteúdo das quatro propostas apresentadas nesse mesmo dia na Assembleia da República referentes à infância. Com elas, esclareceu, o PCP pretende contribuir para a promoção e efectivação dos direitos das crianças.

Um dos projectos, anunciou, visa alargar o abono de família, com vista à sua universalização. Para o Partido, trata-se de um direito da criança e deve ser atribuído a todas elas, independentemente das suas condições económicas. O segundo tem como objectivo reforçar os direitos dos pais no acompanhamento aos filhos em situações de doença crónica e oncológica ou de acidente. O Partido entregou ainda uma proposta com a qual pretende reforçar os cuidados de saúde primários na área da saúde infantil, com a garantia de médico e enfermeiro de família para todas as crianças e jovens e pediatras nos cuidados de saúde primários.

O quarto projecto entregue no passado dia 1 propõe a avaliação das condições de implementação da sesta no ensino pré-escolar. Esta iniciativa leva em conta posições públicas de entidades como a Sociedade Portuguesa de Pediatria que releva a importância da sesta no crescimento, desenvolvimento e aprendizagem das crianças até aos seis anos de idade.

Estes projectos estão longe de esgotar a intervenção dos comunistas nestas matérias: partindo da ideia de que as crianças não terão direitos se os seus pais não os tiverem, o PCP engloba neste tema as questões dos vínculos e horários de trabalho e dos salários.

Formação integral

Antes das declarações aos jornalistas, o Secretário-geral comunista, que se encontrava acompanhado por dirigentes regionais e locais do Partido, partilhou a plateia da histórica sala de espectáculos almadense com dezenas de crianças do ensino pré-escolar. Juntos, fizeram uma viagem a bordo de um navio pelo mundo da improvisação e da música, guiados por uma pequena ratita e por três músicos gatos.

Longe de se limitarem a assistir ao espectáculo, as crianças são participantes activas nesta Ratsódia, tanto as que estiveram no palco como as que, da plateia, não se coibíam de «ajudar» ou «alertar» a protagonista quanto esta se confrontava com dúvidas ou poderia correr perigo. Uma coisa é certa, não há duas apresentações iguais deste espectáculo.

Perante os jornalistas, e antes de anunciar o conteúdo dos projectos apresentados nesse mesmo dia, Jerónimo de Sousa valorizou o trabalho dos profissionais da cultura em prol da formação e desenvolvimento integral da população. Justifica-se, assim, os apoios públicos para que prossiga este «trabalho tão importante para agora e para o futuro».


O teatro para a infância e juventude
é o «grande teatro»

Não foi por acaso que o PCP escolheu o Teatro Extremo e o Sementes – Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público para assinalar o Dia da Criança. Ao longo de 24 anos, o Teatro Extremo produziu 49 espectáculos e apresentou-se perante cerca de meio milhão de pessoas em 10 países; quanto ao Sementes, terminou no domingo, 3, a sua 23.ª edição. Disto e muito mais falaram Rui Cerveira (RC) e Vítor Pinto Ângelo (VPA), dois dos responsáveis pela companhia e pelo festival.

Qual a dimensão e abrangência do Sementes?

RC – O Sementes começou por se realizar apenas em Almada e agora já vai para sete outras cidades também. Reúne à volta de 20 companhias e mais de 60 actividades em cada ano. O público não tem parado de crescer: em 2017 tivemos cerca de 13 mil espectadores e este ano esse número foi ainda mais elevado.

Como nasceu este festival?

RC – Nasceu mal constituímos o Teatro Extremo, em 1994. Quisemos fazer uma companhia que trabalhasse para a infância e juventude e organizar um festival para esse público. Aliás, achamos que o teatro para a infância e juventude é que é o «grande teatro», pois tem que agradar a todos e que ter vários níveis de leitura, pois a criança não vem ao teatro sozinha.

O que esperam das crianças que vêm aos vossos espectáculos e participam nas oficinas do vosso serviço educativo?

RC – Desde logo que desenvolvam a sua sensibilidade e capacidade de sentir, que sejam capazes de relacionar o que vêem, ouvem, lêem e aprendem. É isso a cultura e não o despejar de conteúdos para cabeças em formação. O importante é ensinar as crianças a relacionar o que se encontra à sua volta, para que consigam perceber o mundo em que vivem e perspectivar o mundo em que querem viver.

VPA – Essas crianças vão ser melhores, com um pensamento mais crítico. É para isso que trabalhamos, pois as nossas criações têm sempre uma mensagem. Em 2019 o Teatro Extremo vai assinalar 25 anos e o espectáculo principal das comemorações será feito pelas dezenas de seniores e centenas de crianças que participam nas nossas oficinas.

Como é fazer teatro com as políticas que temos?

VPA – O Teatro Extremo desenvolveu-se com apoio municipal, que se foi reforçando à medida que nos íamos ligando mais ao concelho. A partir de 2001 passámos a beneficiar também de apoios do poder central, mas nos dois anos em que os cortes ascenderam a 61 por cento (2011 e 2012), foi o apoio municipal que nos permitiu manter a actividade e o festival.

Este ano, os concursos de apoio às artes suscitaram muita polémica...

VPA – Apesar de termos sido uma das companhias apoiadas e de termos tido um aumento do valor do apoio, não deixamos de manifestar a nossa discordância com o modelo de apoio às artes deste Governo. Há um grande desinvestimento. Os 25 milhões propostos pelo movimento cultural (os valores de 2009 acrescidos da inflação) davam para manter as companhias existentes e apoiar outras. Lutamos por um por cento do Orçamento do Estado para a Cultura. Os actuais 0,02 são insignificantes.

A maioria PS-PSD no município trouxe alterações ao nível da cultura?

VPA – Mantemos o protocolo com o município, aguardando a definição da nova política cultural. Foi-nos informado que haveria um corte de 10 a 15 por cento no apoio às «estruturas existentes», para entregar a projectos «emergentes», que não sabemos quem são. Isto nunca aconteceu em Almada. As companhias do concelho estão unidas num projecto comum de defesa da cultura, a Plataforma Cultural de Almada, que luta para que se mantenha e aumente o valor consagrado à cultura pelo anterior executivo.




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