- Edição Nº2323  -  7-6-2018

23.º Piquenicão dá mais força à luta dos reformados

REIVINDICAÇÕES Milhares de pessoas participaram, domingo, 3 de Junho, no 23.º Piquenicão Nacional do MURPI – Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos, em Montemor-o-Novo.

Pelos três palcos instalados no Parque de Exposições e Feiras do município passaram mais de 60 grupos culturais de música, canto e dança de todo o País, assinalando e comemorando, também, o 40.º aniversário do MURPI.

Nesta grande festa dos reformados – realizada com o apoio logístico da autarquia e dos seus trabalhadores, mas também com o contributo de dirigentes e activistas da Associação de Reformados do concelho, das federações distritais e da Confederação MURPI – sobressaiu a necessidade de continuar a lutar pelos direitos dos reformados e defender a fruição e produção cultural das associações de reformados, com o apoio financeiro do Estado.

Nas intervenções políticas reivindicou-se o reconhecimento do MURPI como parceiro social, com assento permanente no Conselho Económico e Social (CES). «Somos 140 associações em 12 distritos do Continente e na Região Autónoma da Madeira (RAM), sete federações e mais de 70 mil associados», elencou Casimiro Menezes, presidente da Direcção do MURPI.

No dia 23 de Maio, vindos de vários pontos do País, dirigentes e activistas da Confederação entregaram, em Lisboa, uma petição com 1400 assinaturas a reclamar um lugar permanente do MURPI no CES e não uma solução rotativa e intermitente de representação, como foi proposto pelo presidente do conselho, Correia de Campos.

Propostas concretas
Casimiro Menezes referiu, também, que o «aumento médio da esperança de vida» é «uma conquista civilizacional que tem que ser revertida a favor do envelhecimento com direitos». «Não admitimos que a pretexto do envelhecimento da sociedade portuguesa se venha a retirar direitos conquistados com muita luta», afirmou, exigindo, por exemplo, a «sustentabilidade financeira da Segurança Social», mas «não à custa da redução dos valores das pensões».

Na sua intervenção, valorizou ainda o «aumento extraordinário (das pensões) de seis para 10 euros em Agosto», face à «luta dos reformados» que «é necessário continuar pela revalorização e actualização de todas as pensões e muito em especial das pensões baixas».

Entre outras propostas, o presidente do MURPI exigiu que o Governo «ponha travão» à degradação e definhamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e reclamou uma rede pública de «equipamentos que assegure de forma equitativa e justa o direito à protecção social» e de «transportes adequados às necessidades básicas dos utentes». Simultaneamente, «os reformados devem ter o direito assegurado de acesso gratuito nos museus e instituições de cultura», defendeu Casimiro Menezes.

O Piquenicão contou com a presença de Patrícia Machado, da Comissão Política do PCP, Raimundo Cabral, da Comissão Central de Controlo, e de representantes do Movimento Democrático de Mulheres (MDM) e da Inter-Reformados/CGTP-IN, entre outros.

Sessão comemorativa na Amadora

As quatro décadas do MURPI – a defender o direito a envelhecer com dignidade – foram também assinaladas, no dia 27 de Maio, no Auditório Municipal da Amadora, que acolheu uma sessão comemorativa – com vários apontamentos culturais – apresentada pelas actrizes Fernanda Lapa e Mariana Albuquerque.

Promovida pela Federação das Associações de Reformados, Pensionistas e Idosos do Distrito de Lisboa, na iniciativa intervieram José Nuncio, da FARPIL, e Casimiro Menezes, presidente da Direcção do MURPI.