A falta de funcionários
é sentida
na maior parte
das escolas
Greve do pessoal não docente reforça exigências ao Governo

EDUCAÇÃO Depois da greve de dia 4, há que negociar e ir ao encontro das reivindicações que motivaram uma adesão elevadíssima, com efeitos visíveis no funcionamento das escolas.

A greve nacional dos trabalhadores não docentes das escolas da rede pública, na sexta-feira, dia 4, teve uma adesão «superior a 85 por cento», que foi «elevadíssima» e ficou «bem patente nas mais de 700 escolas que encerraram as portas e naquelas que não puderam concretizar a actividade lectiva».

Esta avaliação foi feita pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS, da CGTP-IN), que divulgou, ainda no dia 4, uma nota a saudar «todos os trabalhadores não docentes dos estabelecimentos de educação e ensino da rede pública que aderiram, de forma tão expressiva, à greve nacional», desta forma «demonstrando a sua vontade de verem satisfeitas as suas reivindicações, em defesa dos seus direitos, da melhoria das condições de trabalho e da Escola Pública».

Esta participação na greve «deverá ser um claro sinal para o Governo, no sentido de este mudar de política, de forma evidente, relativamente aos trabalhadores não docentes, satisfazendo as suas reivindicações». «Ao Governo, perante a greve hoje levada a cabo, só restará negociar e levar à prática, no imediato, o reforço de efectivos e a regularização de vínculos precários, a revisão da portaria de rácios, a reposição das carreiras específicas e o fim da municipalização da Escola Pública», conclui a federação.

Na sexta-feira de manhã, numa conferência de imprensa à porta da escola secundária Vergílio Ferreira, em Lisboa, um dirigente da FNSTFPS destacou os baixos salários, a elevada precariedade e a falta de funcionários como principais problemas que justificaram a luta. Artur Sequeira sublinhou que «a grande maioria das escolas nunca está a funcionar a 100 por cento» e quase metade dos assistentes operacionais recebe o salário mínimo. Assinalou ainda que os trabalhadores não docentes e as suas estruturas exigem também uma carreira específica.

No local, expressando solidariedade, compareceu o Secretário-geral da CGTP-IN. Arménio Carlos, igualmente citado pela agência Lusa, salientou que estes trabalhadores, actualmente enquadrados na carreira geral de assistentes operacionais, «estão a lutar pela estabilidade do seu emprego», mas também para evitar «problemas graves do ponto de vista de segurança dos alunos».

No Porto, algumas dezenas de trabalhadores em greve concentraram-se frente à direcção regional de Educação do Norte, em protesto.

 



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