A obra de Marx revolucionou o pensamento e a sociedade
Karl Marx é «gigante do pensamento e da acção revolucionários»

SOCIALISMO Na intervenção com que encerrou o comício em Penafiel, o Secretário-geral do PCP realçou aspectos centrais da biografia de Karl Marx, assumindo o valor do seu legado para a luta que continua.

As primeiras palavras de Jerónimo de Sousa foram para valorizar o que a vida e obra de Karl Marx representam de «referência fundamental e incontornável dos que demandam e constroem os caminhos da libertação dos trabalhadores e dos povos, da exploração capitalista, e se entregam à empolgante tarefa da construção da sociedade nova – o socialismo e o comunismo». A «invulgar e sólida obra» que produziu, acrescentou o dirigente do PCP, permanece não apenas enquanto «fonte inspiradora para os combates de hoje» pela transformação do mundo, como constitui igualmente um «indispensável instrumento de análise e conhecimento da realidade».

Para o Secretário-geral do PCP, Marx foi «o maior revolucionário e intelectual» do século XIX, um «genial cientista» e ainda um «gigante do pensamento e da acção revolucionários». Foi tudo isto porque, acrescentou Jerónimo de Sousa, «as suas teorias portadoras de uma nova concepção do mundo, produzidas em estreita colaboração com Engels, revolucionaram não apenas o pensamento, mas as sociedades que atravessaram todo um longo tempo da sua vida até aos nossos dias». A importância do seu legado, prosseguiu, é desde logo confirmada pelas «múltiplas dimensões da sua obra», nos campos da filosofia, da economia e da história.

Se Marx é, ainda hoje, «justamente recordado» tal deve-se ao facto de «ter estado à altura das circunstâncias do seu tempo e as ter transcendido, permanecendo actual», sublinhou Jerónimo de Sousa, acrescentando outro motivo: o de ter «explicado a razão das lutas da classe operária e indicado o seu objectivo histórico de libertação da exploração do homem pelo homem».

A questão é transformá-lo

Valorizando contribuições teóricas relevantes, como o materialismo dialético e histórico ou a teoria da mais-valia, o Secretário-geral do PCP lembrou como estas se desenvolveram à medida que Marx intensificava a sua actividade política. A questão, como o próprio escreveu nas Teses sobre Feuerbach, já não era apenas interpretar o mundo, mas transformá-lo.

Enquadrando a obra e a luta de Marx no seu tempo, Jerónimo de Sousa lembrou a impetuosa luta popular que assolou a Europa em meados do século XIX, abalando profundamente a sociedade aristocrática da época, e a entrada em cena, de forma autónoma, do movimento operário, do qual Marx e Engels se tornariam destacados dirigentes. A transformação da Liga dos Justos em Liga dos Comunistas e a alteração do seu lema de «Todos os homens são irmãos» para «Proletários de todos os países, uni-vos!», evidências de uma mudança mais profunda, têm a marca dos fundadores do socialismo científico. Foi precisamente para a Liga dos Comunistas que Marx e Engels escreveram o Manifesto do Partido Comunista.

Atribuindo a Marx a demonstração de que o socialismo não constitui um «desejo ou uma vontade», mas uma «consequência real da intervenção da classe operária organizada», o dirigente do PCP sublinhou o papel decisivo que a criação de partidos operários revolucionários teve para a concretização daquele objectivo. A importância que Marx e Engels davam à organização ficou patente no seu empenho em criarem, em 1864, a Associação Internacional dos Trabalhadores – a I Internacional –, da qual foram dois dos principais dirigentes. A Comuna de Paris de 1871 permitiu a Marx retirar importantes ensinamentos, incorporados pelo movimento comunista internacional e, em particular, por Lénine.

Teoria e força material

A teoria marxista, lembrou Jerónimo de Sousa, foi assumida por amplas massas populares, que a tomaram como sua e a transformaram em «força material de combate», que tem sido uma «arma poderosa» no combate ao capitalismo e na condução da luta emancipadora do movimento operário. Porém, lembrou, não se trata de uma «resposta acabada» ou de um «guia pronto a indicar indistintamente o caminho certo em toda e qualquer latitude e à margem e por cima das condições concretas e das distintas realidades».

Pelo contrário, constitui um «ponto de partida seguro e fecundo com os seus instrumentos teóricos e o seu método para a “análise concreta da situação concreta”». Esta característica caracterizou-a Lénine como a «alma do marxismo», recordou o Secretário-geral do Partido. Foi Lénine que, recordou Jerónimo de Sousa, enriqueceu este corpo teórico «com a sua genial contribuição teórica» e o contributo decisivo que deu para a vitória e consolidação da Revolução de Outubro: o termo marxismo-leninismo dá expressão à importância de Lénine no desenvolvimento do marxismo.

A melhor forma de honrar todo este legado é, para o dirigente do PCP, «não dar tréguas à luta contra a exploração capitalista, as injustiças e as desigualdades sociais, tendo sempre presente o objectivo da concretização da sociedade socialista e comunista».

Luta permanente contra a exploração
honra memória e exemplo de Marx

Antes de Jerónimo de Sousa, interveio no comício, em nome da Direcção da Organização Regional do Porto do PCP, Armando Ferreira. Tal como faria depois o Secretário-geral, este dirigente regional do Partido transportou para a actualidade e para os combates do nosso tempo o legado teórico e prático de Marx. Assim, realçou, a resposta concreta aos problemas dos trabalhadores e do povo está ligada à luta pela superação revolucionária do capitalismo. Para aqueles que, como os comunistas portugueses, assumem este legado, é imperioso intensificar a luta pela valorização dos salários e direitos dos trabalhadores, contra a «persistente tendência para o agravamento da exploração», sublinhada por Jerónimo de Sousa.

É precisamente o que o PCP tem feito quando se bate pela revogação das medidas gravosas do Código do Trabalho e dá prioridade na sua acção à defesa dos direitos dos trabalhadores, ao aumento geral dos salários e das reformas, ao combate à precariedade e às tentativas de desregulação dos horários, à revogação da caducidade da contratação colectiva e à consagração das 35 horas semanais de trabalho para todos. O Partido, reafirmou ainda o Secretário-geral, apoia e estimula a luta dos trabalhadores por estes objectivos, e desde logo a preparação e realização da manifestação nacional de 9 de Junho em Lisboa, promovida pela CGTP-IN.

Reconhecendo serem muitos os problemas com que os trabalhadores, o povo e o País estão confrontados, o dirigente comunista apontou como caminho para a sua superação a política patriótica e de esquerda que o PCP defende para o País, inserindo-a no processo mais geral de luta pelo socialismo e o comunismo.

Superar o capitalismo

De Portugal para o mundo, Jerónimo de Sousa constatou as «profundas transformações» que se deram no mundo desde Marx, incluindo no próprio capitalismo. Contudo, «não mudou a natureza exploradora do capitalismo, que se tornou cada vez mais rentista, parasitário e decadente». A humanidade está hoje confrontada com as suas contradições e brutais e desumanas consequências, acrescentou.

Na exposição patente no átrio alguns dados comprovavam estas afirmações: 82 por cento da riqueza criada em 2017 foi concentrada nas mãos dos um por cento mais ricos e as 42 pessoas mais ricas acumulam a mesma riqueza do que os 3,7 mil milhões de pessoas mais pobres. E há mais: 815 milhões de subnutridos, mais de 192 milhões de desempregados e de 152 milhões de crianças sujeitas a trabalho infantil…

Afundado na sua crise estrutural, que Marx magistralmente desvendou, o capitalismo «tornou-se uma força crescentemente destrutiva», realçou ainda Jerónimo de Sousa, referindo-se também às guerras que proliferam no mundo.

Foi ainda recorrendo a Marx que o Secretário-geral do PCP apontou à superação do capitalismo, garantindo que ela «exige a participação consciente dos trabalhadores e dos povos, a sua unidade, organização e luta» e, igualmente, um Partido Comunista «forte e permanentemente reforçado».

 



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