Casos como o de Manuel Pinho são judiciais e políticos
É preciso libertar o Estado dos interesses do capital

CAPITALISMO Comentando o caso que envolve o BES, a EDP e os ex-ministros Manuel Pinho e António Mexia, o PCP garante que a subordinação dos governos ao poder económico é marca da política de direita.

Lusa


Na semana passada, o antigo ministro da Economia do governo PS/Sócrates, Manuel Pinho, viu o seu nome associado a um processo envolvendo o Grupo Espírito Santo, de quem terá recebido avultadas somas do «saco azul» deste grupo económico, inclusivamente no período em que foi governante. Surge também ligado a este mesmo caso o actual administrador da EDP, António Mexia, também ele antigo ministro do governo PSD/CDS liderado por Pedro Santana Lopes.

Num comunicado emitido no dia 30 de Abril pelo seu Gabinete de Imprensa, o PCP garante que sem prejuízo da chamada de Manuel Pinho à Assembleia da República e da constituição da Comissão de Inquérito, já anunciadas, importa proceder a uma «avaliação mais abrangente» às ligações entre os sucessivos governos e as principais empresas e grupos económicos: não apenas do sector eléctrico, mas também na banca, correios, telecomunicações ou transportes.

Para o PCP, importa que sejam esclarecidos todos os contornos do caso, pelo que é indispensável garantir que as «investigações e processos judiciais decorram com normalidade e eficácia». No entanto, acrescenta, a questão vai mais para lá da investigação criminal, estendendo-se ao plano político. Tal como outras situações similares, este caso é «indissociável do processo de privatizações, da submissão às imposições externas, da recuperação do poder monopolista e da sua relação com a crescente subordinação do poder político ao poder económico».

Considerando o escândalo BES/BES como um «exemplo flagrante desta circunstância», o PCP recorda que na altura certa denunciou que ex-responsáveis políticos e governativos como Manuel Pinho ou Miguel Frasquilho foram, sob diferentes formas, financiados por esse grupo. A «continuada subordinação de sucessivos governos ao poder económico» é um dos elementos característicos da política de direita que «mais corrói a democracia». A rotatividade de quadros entre órgãos de governo e grupos económicos tem sido uma das marcas mais evidentes da utilização do Estado como instrumento de interesses não declarados.

 



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