O capitalismo perdeu a máscara que lhe dava «rosto humano»
Capitalismo reaccionário e destruidor como previa o Manifesto do Partido Comunista

ACTUALIDADE Na sessão evocativa dos 170 anos do Manifesto, Jerónimo de Sousa realçou a confirmação de que o capitalismo evoluiria num sentido crescentemente reaccionário e destruidor.

«As promessas de que a globalização capitalista e o avanço tecnológico permitiriam reduzir as desigualdades, aumentar salários e reduzir horários desapareceram na voragem de um capitalismo que há muito deixou cair a máscara que o apresentava de rosto humano», comentou o Secretário-geral do PCP, depois de abordar a evolução histórica, desde 1848 até à actualidade.

Hoje, salientou, «a previsão no Manifesto de que o capitalismo, depois do papel progressista que desempenhou na liquidação do feudalismo, evoluiria num sentido crescentemente reaccionário e destruidor, confirma-se plenamente em todos os domínios».

«A persistente escalada de tensão e provocação» e «as operações de ingerência e guerras de agressão, se não forem travadas, conduzirão a Humanidade à catástrofe», alertou o dirigente comunista, lembrando que «o sofrimento de milhões de pessoas assume hoje uma dimensão brutal» e «cerca de um quinto da população mundial vive afectado por conflitos».

«Como assinalou o nosso XX Congresso, a guerra surge cada vez mais como a resposta do imperialismo à crise do seu sistema de exploração e opressão», sendo tal resposta dirigida «contra todos aqueles que considera serem um obstáculo aos seus intentos».

Esta é «uma situação que coloca exigentes responsabilidades aos comunistas e a necessidade de fortalecer a convergência e a cooperação das forças patrióticas, progressistas e revolucionárias, numa ampla frente anti-imperialista, que contrarie a ofensiva do imperialismo e abra caminho à construção de uma nova ordem internacional, de paz, soberania e progresso social».

Jerónimo de Sousa imputou ao capitalismo «o rasto de violência, exploração, dominação e rapina devastadora de recursos», «a realidade da acentuação das desigualdades do planeta e a sua expressão, inclusive nos países mais desenvolvidos», «o escandaloso e contínuo processo de concentração e centralização de riqueza».

A «extraordinária centralização do capital no plano planetário» e, «com ela, a crescente concentração também do seu poder em instâncias supranacionais» reflectem bem «o acerto das previsões do Manifesto sobre o processo de mundialização capitalista e suas consequências na vida dos trabalhadores e dos povos».

Trata-se de «uma tendência que, mais que expressar a inevitabilidade de um movimento eterno, lhe determina antes, os seus limites históricos, enquanto formação económica e social, acentuando as suas contradições», e que «aprofunda a sua natureza exploradora, opressiva e predadora».

«Nestas quase duas primeiras décadas do Século XXI, essa natureza revela-se de forma dramática», uma vez que, «liberto do condicionamento da existência da URSS e do sistema socialista mundial, impulsionado pelo desenvolvimento impetuoso da chamada revolução tecnológica digital, o capitalismo tomou o “freio nos dentes” na procura de garantir a máxima taxa de lucro, impondo de forma sistemática o nivelamento por baixo das condições de trabalho, rebaixando salários e liquidando direitos, aumentando o tempo de trabalho, impondo novas formas de exploração e levando a precarização das relações de trabalho para níveis cada vez mais próximos da realidade laboral do Século XIX».

O Manifesto evidenciou «o carácter contraditório do desenvolvimento do capitalismo». «Se este, por um lado “criou forças de produção mais massivas e colossais do que todas as gerações passadas juntas”, por outro lado, “de há decénios para cá, a história da indústria e do comércio é apenas a história das modernas forças produtivas contra as modernas relações de produção, contra as relações de propriedade que são as condições de vida da burguesia e da sua dominação”» – citou Jerónimo de Sousa.


A obra e a luta

Tornando-se «a obra mais amplamente divulgada, no plano internacional, de toda a literatura socialista», o Manifesto do Partido Comunista constitui «o programa comum de muitos milhões de operários de todo o mundo».

O Secretário-geral do PCP referiu que «para isso muito contribuíram quer a forma de organização e a escrita do Manifesto, saída da mão de Marx, quer a abrangência do seu conteúdo, reunindo as ideias dos seus dois autores». E «Lénine expressou bem estes dois aspectos, ao escrever que “esta obra expõe, com uma clareza e um vigor geniais, a nova concepção do mundo: o materialismo consequente aplicado também ao domínio da vida social, a dialéctica como a doutrina mais vasta e mais profunda do desenvolvimento, a teoria da luta de classes e do papel revolucionário histórico universal do proletariado, criador de uma sociedade nova, a sociedade comunista”».

Jerónimo de Sousa recordou que «o Manifesto, como afirmou Álvaro Cunhal, “lançou e promoveu uma luta revolucionária de alcance universal: a luta dos comunistas, que marcou e determinou as principais realizações e conquistas de transformação social desde então até aos nossos dias”».

«Estreitamente ligados aos trabalhadores, fazendo da luta popular de massas “o motor da revolução”, afirmando a independência ideológica, política e organizativa do seu partido de vanguarda e, ao mesmo tempo, promovendo a aliança da classe operária com as demais classes e camadas exploradas e oprimidas pelo capital, combinando a luta por objectivos concretos e imediatos com a luta pelo objectivo supremo do socialismo e do comunismo», os comunistas transformaram-se «numa grande força política, que exerceu uma influência determinante na marcha do Mundo nos 170 anos que nos separam do lançamento do Manifesto».

O Secretário-geral do Partido frisou que, «para enfrentar com confiança as complexas tarefas que hoje se colocam ao movimento comunista e revolucionário internacional, não podemos permitir que esta realidade seja ignorada, nem que sejam esquecidas as grandes transformações democráticas alcançadas pela luta da classe operária no quadro do próprio sistema capitalista, ou o gigantesco movimento de libertação anti-colonial», «e muito menos o significado universal da Revolução de Outubro e os projectos de construção da sociedade socialista que, apesar das derrotas sofridas, confirmaram não só a possibilidade de reorganizar a sociedade no interesse dos trabalhadores, como a superioridade do socialismo sobre o capitalismo».




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