- Edição Nº2315  -  12-4-2018

Brasil de pé pela libertação de Lula contra o golpe e pela democracia

GOLPE Milhares de brasileiros manifestaram-se no sábado, 7, contra a condenação e prisão de Lula da Silva. Ontem iniciou-se uma mobilização nacional que só termina com a libertação daquele.

Protestos em defesa de Lula da Silva foram realizados em mais de 50 cidades, dinamizados pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem centrais sindicais, partidos e movimentos sociais. Na base da contestação está a ordem de prisão dada na sexta-feira, 6, contra o ex-presidente brasileiro, que os manifestantes e as organizações promotoras dizem estar a ser alvo de um processo politicamente motivado. Na quinta-feira, 5, o Supremo Tribunal Federal rejeitou o pedido de habeas corpus solicitado pela defesa do ex-chefe de Estado.

Na maioria dos casos as acções de massas decorreram sem ou com incidentes menores. A situação mais grave aconteceu na concentração junto à penitenciária federal em Curitiba, para onde Lula da Silva foi levado no sábado para cumprir 12 anos e um mês de cadeia. A polícia disparou balas de borracha e granadas de gás lacrimogéneo e carregou sobre aqueles que defendem a democracia e rejeitam o golpe de Estado, iniciado com a destituição da presidente eleita Dilma Rousseff, em 2016.

Frente ao estabelecimento carcerário o Partido dos Trabalhadores e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) asseguram uma vigília permanente, pese embora a proibição de protestos no local entretanto decretada.

Lula da Silva entregou-se às autoridades no sábado na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, que liderou durante anos, para onde foi na quinta-feira desencadeando uma mobilização de apoiantes.

No seu último discurso antes de ser carregado em ombros pela multidão, garantiu que o seu crime foi ter sonhado um país menos desigual, mais desenvolvido e soberano e lembrou que «a morte de um combatente não pára uma revolução e vocês serão milhões e milhões de Lulas».

Anteontem o MST intensificou os bloqueios de estradas iniciados no fim-de-semana passado em vários pontos do país. Para ontem, quarta-feira, 11, foi convocada uma mobilização nacional que os promotores afirmam que só se detém com a libertação de Lula da Silva e a derrota do golpe e dos golpistas.

Solidariedade em Portugal

Conhecida a negação do habeas corpus e a ordem de prisão contra Lula da Silva, um conjunto de organizações portuguesas convocou uma concentração frente à Embaixada do Brasil em Portugal, realizada na sexta-feira, 6. O PCP associou-se à iniciativa através da presença da deputada na Assembleia da República Rita Rato.

Na ocasião, activistas portugueses e brasileiros entregaram na representação diplomática uma posição de protesto que conta já com dezenas de estruturas assinantes mas que continua aberta à subscrição, na qual estas denunciam que a condenação e encarceramento do ex-presidente «mais não visa do que impedir a candidatura de Lula da Silva às eleições presidenciais em Outubro e assegurar a continuidade de um governo ao serviço de uma minoria opulenta e economicamente poderosa, perpetuando a desastrosa política que está a reverter e destruir tudo o que de mais positivo foi alcançado pelo povo brasileiro, nomeadamente em matéria de direitos sociais e melhoria das condições vida, durante os mandatos de Lula da Silva e Dilma Rousseff».

«Urge assim dar expressão à mais ampla denúncia deste vergonhoso e gravíssimo processo antidemocrático, desmascarando igualmente a campanha de desinformação e manipulação mediática que lhe dá cobertura», apelam ainda. Repudiam e condenam «com veemência o golpe institucional, as medidas arbitrárias e as acções de violência contra responsáveis e activistas políticos e sociais brasileiros e contra manifestações em defesa da democracia e pelo respeito dos direitos de Lula da Silva», e de expressarem «a mais viva solidariedade ao povo irmão brasileiro e à sua luta para salvaguardar os direitos e garantias democráticas no Brasil e resistir a um poder crescentemente repressivo e autoritário».

Para ontem, ao final da tarde, estava agendada nova concentração com idêntico propósito frente à Embaixada do Brasil, em Lisboa.