Debate quinzenal com o primeiro-ministro
Mais milhões para o Novo Banco

A merecer a crítica severa do Secretário-geral do PCP esteve também a «injecção» de capital do Estado no Novo Banco, depois de o Governo ter tomado a «opção errada» que foi vendê-lo em Outubro de 2017 em vez de o manter na esfera pública.

Esse é um ónus que recai sobre o actual Executivo a somar às «pesadas responsabilidades» dos que os antecederam, muito em particular do anterior governo PSD/CDS, que deixaram o Grupo Espírito Santo «em roda livre a ganhar poder e a distribuir fortuna», como lembrou Jerónimo de Sousa.

«O Governo vendeu o banco nas condições que são conhecidas, e agora vai injectar oitocentos milhões de euros porque houve alguém que obteve crédito e não o pagou», verberou o líder comunista, inconformado com o facto de o Governo ter considerado que «sairia mais caro» manter o banco sob a alçada do Estado, quando, tivesse sido outra a sua opção, hoje o «banco era português, era nosso, e não do estrangeiro».

Daí querer saber «quem vai beneficiar daquela injecção de dinheiro público», «que imparidades foram registadas», e que «devedores vão beneficiar delas e a que créditos correspondem».

«Como é que o Governo pode justificar que haja agora oitocentos milhões de euros para injectar no Novo Banco mas não haja dinheiro para avançar mais na reposição de direitos e rendimentos?», inquiriu.

Na resposta, António Costa insistiu na tese de que a «alternativa da nacionalização» «implicava imediatamente que o Estado tivesse injectado entre 4000 e 47 000 milhões».

«O banco seria nosso mas o prejuízo agora registado também seria nosso. Em vez de estarmos a emprestar 700 milhões, estávamos agora a pagar 1700 milhões de euros, que são as imparidades registadas este ano», realçou, sem o mais leve reparo crítico quanto a um «modelo de venda» que obriga o Estado a emprestar «até um máximo de 3800 milhões de euros» ao fundo de resolução «por 30 anos».

«Não é um dinheiro injectado pelo Estado, é dinheiro emprestado ao fundo de resolução e que o Estado recuperará conforme os bancos forem pagando», repetiu, mostrando-se confiante de que tal montante será recuperado nas próximas três décadas.

«Esperando que tenhamos uma vida longa, tenho a impressão de que não vamos ver esse pagamento um dia ser concretizado. Oxalá eu me engane. Há muita dúvida em relação a esse pagamento atempado», ironizou Jerónimo de Sousa.




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