Jerónimo de Sousa no debate quinzenal com o primeiro-ministro
Prevenção não se faz com alarmes e ameaças

Neste debate esteve igualmente presente o flagelo dos incêndios florestais e a necessidade de envolver toda a gente na prevenção de modo a evitar tragédias como as do ano passado.

Se a importância de levar a cabo esse trabalho de sensibilização não oferece qualquer dúvida, já a forma como ele está a ser feito é merecedora de reservas e críticas. Jerónimo de Sousa não escondeu mesmo a sua preocupação pelo que classificou de «trapalhada que está no terreno, com indicações contraditórias, de que o e-mail intimidatório enviado pela Autoridade Tributária a milhões de cidadãos é o maior exemplo».

«Chegam-nos notícias de pequenos proprietários a ser pressionados por certos "agentes do mercado" para lhes ficarem com a biomassa, com as árvores e até com os terrenos, tal é o pânico injustificado que o Governo lançou», declarou o líder comunista.

Quis saber por isso se o Executivo tem garantidos os meios para apoiar os pequenos e médios proprietários florestais, «defendendo-os dos agiotas que já pairam sobre as suas propriedades».

«Pode garantir que toda a área de floresta pública ou em co-gestão pelo Estado vai estar limpa no dia 15 de Março? Quantos hectares de fogo controlado já foram feitos? Quantos quilómetros de faixas primárias foram abertas?», inquiriu, dirigindo-se ao primeiro-ministro.

Sem entrar em detalhe sobre nenhuma das questões suscitadas pelo Secretário-geral do PCP – exceptuando para dizer que a meta que consta do OE para a rede primária é de 500 novos quilómetros de faixas –, o chefe do Governo reconheceu que «há um grande trabalho a fazer para que a floresta volte a ter escala de exploração económica que permita a sua manutenção», salientando uma verdade há muito adquirida: «os incêndios de Verão combatem-se durante o Inverno, diminuindo a carga combustível e ordenando a floresta».

Enfatizou por isso a criação em 2017 das entidades de gestão florestal, considerando que tal medida «permitiu o arrendamento de pequenas propriedades de forma a que estas possam ser exploradas numa escala maior». É que deixar a «floresta entregue à mini, micro propriedade como ela hoje existe», significa manter a «mesma floresta desordenada e o mesmo desaproveitamento da massa combustível», sustentou o primeiro-ministro, defendendo que é preciso «avançar com as centrais de biomassa, avançar com todo o programa para a criação da rede primária, da rede secundária, linhas de protecção e de limpeza à volta das casas e das povoações».

E por ter deixado esgotar o tempo, nada mais disse, a não ser para anunciar que enviaria ao líder do PCP «o resto» da informação, «por escrito».




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