A luta pela soberania é plenamente actual
Evocar o 31 de Janeiro de olhos postos no futuro

EFEMÉRIDE O PCP assinalou no Porto mais um aniversário da revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, numa sessão em que se retirou ilações da experiência e se projectou a luta presente e futura.

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A evocação realizou-se no próprio dia do 127.º aniversário da revolta, no salão do Palacete dos Viscondes de Balsemão, totalmente cheio. Moderada por Ilda Figueiredo, membro do Comité Central do Partido e vereadora na Câmara Municipal do Porto, a sessão contou com as intervenções do investigador e historiador Hélder Pacheco, do mestre em História e membro da Direcção da Organização Regional do PCP Daniel Vieira e ainda de Jaime Toga, da Comissão Política.

Depois de Hélder Pacheco e Daniel Vieira se terem referido a diversos aspectos relacionados com os acontecimentos de 31 de Janeiro de 1891 e seus antecedentes, Jaime Toga realçou que a revolta do Porto evidenciou «as contradições decorrentes de relações de domínio e submissão entre estados». Portugal era, então, não apenas um país subordinado ao imperialismo e à mercê da especulação financeira como também governado por «dois partidos que se alternavam entre si no poder, que nada mudavam e tudo geriam em seu favor».

Muito embora muitos considerassem esta situação inevitável, lembrou o dirigente comunista, generalizou-se uma «onda de indignação e protesto quando aqueles que governavam o País abdicaram da soberania e cederam aos interesses de uma potência internacional», numa referência ao célebre Ultimato Inglês. Assim se explica a revolta levada a cabo por um conjunto de militares, na sua maioria de baixa patente, e o apoio e simpatia a ela demonstrados por jornalistas e intelectuais, operários e camponeses. «A generalidade do povo estava com a revolta porque via nela o caminho para a democracia, a justiça social e a soberania nacional.»

Valores perenes

Após lembrar a importância da celebração dos aniversários da revolta nos tempos do fascismo, Jaime Toga afirmou que vale a pena, hoje, evocar a data «pela justeza e actualidade destes valores, quando continua a haver quem aponte como caminho a submissão e subjugação do nosso País e dos interesses do nosso povo».

A propósito, recordou, «não há inevitabilidades, apesar de nos terem dito que era inevitável a adesão à CEE e mais tarde ao euro», a destruição da indústria, agricultura e pesca nacionais, a privatização das empresas e sectores estratégicos ou a submissão ao pacto de agressão das troikas nacional (PS, PSD e CDS) e estrangeira (FMI, UE, BCE). Tal como em 31 de Janeiro de 1891 ou em 25 de Abril de 1974, «também hoje não estamos condenados à fatalidade de fazer o que os outros deixam nem o futuro está irremediavelmente hipotecado», salientou o membro da Comissão Política, garantindo estar «nas mãos do nosso povo, nas mãos dessa imensa maioria, unir-se e lutar» em defesa dos direitos, pela ruptura com os constrangimentos internos e externos ao desenvolvimento soberano nacional, pela concretização dos valores de Abril.

 



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