• Pedro Guerreiro

82% da riqueza criada em 2017 ficou nas mãos dos 1% mais ricos
Voragem capitalista

De acordo com um relatório recentemente tornado público pela OXFAM, durante o ano passado, a cada dois dias foi criado um novo milionário, que no seu conjunto terão visto a sua riqueza global aumentar em cerca de 762 mil milhões de dólares, durante esse mesmo periódo.

O mesmo relatório afirma que cerca de 82% da riqueza criada durante 2017 terá sido concentrada nas mãos dos 1% mais ricos (capitalistas) ao nível mundial. Ao mesmo tempo, 50% da população mais empobrecida no mundo não terá tido qualquer aumento no seu rendimento. O relatório afirma ainda que 42 pessoas acumularão a mesma riqueza que as cerca de 3,7 mil milhões de pessoas mais pobres ao nível mundial – ou seja, cerca de metade da Humanidade.

As Nações Unidas apontam que cerca de 767 milhões de pessoas sobreviverão com menos de 1,9 dólares por dia (que definem como limite de pobreza). As Nações Unidas apontam igualmente que cerca de 815 milhões de pessoas no mundo sobrevivem subnutridas. A má nutrição causará quase metade (cerca de 45 por cento) das mortes em crianças menores de cinco anos – cerca de 3,1 milhões de crianças a cada ano.

Referem as Nações Unidas que se espera que em 2018 o número total de desempregados ao nível mundial permaneça acima de 192 milhões de trabalhadores. Em 2017, cerca de 42% dos trabalhadores em todo o mundo – 1,4 mil milhões de trabalhadores – terão tido formas de emprego precárias. Neste mesmo ano, 300 milhões de trabalhadores, apesar de trabalharem, terão sobrevivido com as suas famílias com um rendimento de 1,9 dólares por dia. As Nações Unidas estimam ainda que o número de trabalhadores que sobrevivem em situação de pobreza extrema nos países apontados como economicamente desenvolvidos permaneça acima de 114 milhões, afectando 40% de todos os trabalhadores em 2018. Em 2016, cerca de 152 milhões de crianças, com idade entre 5 e 17 anos, estavam sujeitas a formas de trabalho infantil.

As Nações Unidas apontam a existência de um número sem precedentes de 65,6 milhões de pessoas deslocadas em todo o mundo – principalmente por causa da guerra. Entre estes, encontra-se quase 22,5 milhões de refugiados, mais de metade dos quais menores de 18 anos. Em 2015, o número de imigrantes atingiu 244 milhões ao nível mundial – um aumento de 41% em relação a 2000. Em 2016, segundo as Nações Unidas, mais de 40 milhões de pessoas em todo o mundo terão sido vítimas de escravidão – sendo que 71% destas serão mulheres e raparigas. As mulheres representarão a quase totalidade das vítimas de exploração sexual. Estes são, entre muitos outros, exemplos da brutal realidade do sistema capitalista e do que este impõe, de forma criminosa, a milhões de seres humanos, quando o desenvolvimento económico e os avanços científico-técnicos alcançados pela Humanidade, se devidamente colocados ao seu serviço, permitiriam resolver os grandes problemas e ultrapassar as inaceitáveis chagas que marcam o nosso tempo. Um sistema em crise estrutural, cuja natureza exploradora, opressora, agressiva, predadora se expõe cada vez mais, apesar dos imensos meios – incluindo de condicionamento e diversão ideológica – que usa para a ocultar e para tentar impedir a sua superação revolucionária.

 



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