- Edição Nº2297  -  7-12-2017

Povo contra fraude eleitoral não sai da rua nas Honduras

PROTESTOS Os hondurenhos não baixam os braços perante os resultados das presidenciais de 26 de Novembro e acusam as autoridades eleitorais de fraude a favor do actual chefe de Estado, Juan Orlando Hernández.

LUSA

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A indignação é de tal forma ampla que mesmo perante o recolher obrigatório decretado pelo governo das Honduras, no final da semana passada, milhares de pessoas continuam em protesto contra o que consideram ter sido uma «chapelada eleitoral». A repressão das manifestações já provocou a morte a sete pessoas e ferimentos graves em 20.

Anteontem, unidades antimotim da polícia anunciaram que se manteriam aquarteladas porque também «são parte do povo», recusando-se a obedecer às «ordens de alto nível» que os mandam aplacar a contestação. O candidato opositor Salvador Nasralla aproveitou a ocasião para apelar às forças armadas a que sigam «o exemplo patriótico» da polícia.

Nos primeiro dados divulgados pelo Supremo Tribunal Eleitoral, na madrugada de dia 27, Salvador Nasralla surgia à frente de Juan Orlando Hernández com uma diferença de cinco pontos percentuais. Contudo, depois de o STE anunciar falhas no sistema informático, a votação do actual presidente das Honduras (que de resto foi candidato apesar de a Constituição o impedir de concorrer a um segundo mandato) começou a acercar-se da do candidato da oposição e, de acordo com os últimos dados oficiais, este terá mesmo vencido o sufrágio com 42,98 por cento dos votos, contra 41,3 por cento recolhidos por Nasralla.

«Puseram os mortos a votar e até gente que vive nos EUA», acusou entretanto Salvador Nasralla, que exige o escrutínio de todas as mais de 5100 actas do pleito, o que é recusado pelo STE com o argumento de já ter revisto cerca de 1600.

Entre as provas de fraude eleitoral são invocadas a confirmação por parte de um magistrado do STE da «vitória irreversível» de Nasralla, bem como o facto de em três regiões a taxa de abstenção ser metade da verificada no resto do país.