Delegação do PE no Líbano em crise

O primeiro-ministro libanês, Saad al-Hariri, em visita à Arábia Saudita, anunciou, no sábado, 4, a demissão do cargo. Justificou a decisão com questões relacionadas com a sua segurança.

O presidente Michel Aoun apelou à «unidade nacional» e o secretário-geral do Hezbollah, Sayyed Nasrallah, cujas forças militares combatem na Síria o terrorismo apoiado pelos sauditas, pediu «calma a todas as partes» e sugeriu que al-Hariri é pressionado por Riade.

A crise política no Líbano decorre dos frágeis equilíbrios entre cristãos maronitas, xiitas e sunitas, uma divisão artificial com consequências negativas para a unidade nacional do povo libanês.

Há um ano tinha sido alcançado um acordo que esteve na base da eleição de Michel Aoun (cristão maronita) como presidente da República do Líbano, de Nabih Berri (xiita) como presidente do parlamento e da formação de um governo de unidade nacional cujo primeiro-ministro, Saad al-Hariri (sunita) se demitiu agora.

Encontram-se refugiados no Líbano milhões de palestinianos e sírios, em consequência da política colonialista de Israel, que há décadas ocupa ilegalmente territórios da Palestina, e da agressão dos EUA e seus aliados, que se desenvolveu abertamente desde 2012, contra a República Árabe da Síria e o seu povo.

Considerando o passado de guerra, incluindo as agressões de Israel, que destruíram a economia do Líbano, o desfecho da actual situação passa por uma política de paz e pelo fim da ingerência e das agressões do imperialismo, pela reconstrução em bases sólidas deste país ancestral cujo povo clama por paz, soberania, desenvolvimento e progresso social.

Coincidindo com a crise, uma delegação do Parlamento Europeu (PE), de que fez parte Miguel Viegas, deputado do PCP, visitou o Líbano de 30 de Outubro a 2 deste mês.

A União Europeia, com responsabilidades claras nos conflitos que assolam o Médio Oriente, tem um acordo de associação com o Líbano que implica as habituais «reformas estruturais», que significam pressão sobre o papel do Estado no desenvolvimento sócio-económico e na garantia dos direitos sociais, abrindo espaço à liberalização dos mercados, às privatizações, às parcerias público-privadas e à flexibilização das leis laborais.




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