Editorial

«A Revolução de Outubro inaugurou a época da passagem do capitalismo ao socialismo»

SOCIALISMO, EXIGÊNCIA DA ACTUALIDADE E DO FUTURO

Comemorando o centenário da Revolução de Outubro sob o lema «centenário da Revolução de Outubro – socialismo, exigência da actualidade e do futuro», o PCP desenvolve um vasto programa que teve como iniciativa singular o comício do centenário realizado no Coliseu dos Recreios em Lisboa na passada terça-feira, dia 7, que encheu esse amplo espaço.

Como afirmou o Secretário-geral do PCP no comício do centenário, «mostramos como a Revolução de Outubro não foi uma aventura, nem obra de aventureiros, como propala a propaganda anticomunista, mas obra dos próprios trabalhadores e do povo soviético que, com a sua luta, abriram os caminhos da sua libertação e com as suas próprias mãos começaram a erguer essa realidade nova, essa terra sem amos e da igualdade [...]».

O século XX fica assinalado para sempre pela Revolução de Outubro, que inaugurou a época da passagem do capitalismo ao socialismo.

Fica assinalado pelos êxitos e extraordinários avanços na edificação da nova sociedade socialista, a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), que, num curto período de tempo histórico, alcançou um significativo desenvolvimento industrial e agrícola, erradicou o analfabetismo e generalizou a escolarização e o desporto, eliminou o desemprego, assegurou a saúde pública e a protecção social, garantiu e promoveu os direitos das mulheres, das crianças, dos jovens e dos idosos, expandiu o impacto dos movimentos de vanguarda artística e as formas de criação e de fruição da cultura, conquistou um elevado nível científico e técnico, colocou em prática formas de participação democrática dos trabalhadores e das massas populares, empreendeu a solução da complexa questão de nacionalidades oprimidas, incrementou os valores da amizade, da solidariedade, da paz e cooperação entre os povos.

Foi a União Soviética o primeiro país do mundo a pôr em prática ou a desenvolver como nenhum outro direitos sociais fundamentais, como o direito ao trabalho, a jornada máxima de 8 horas de trabalho, a proibição do trabalho infantil, as férias pagas, a igualdade de direitos de homens e mulheres na família, na vida e no trabalho, os direitos e protecção da maternidade, o direito à habitação, a assistência médica gratuita, o sistema de segurança social universal e gratuito e a educação gratuita (entre muitos outros).

A Revolução de Outubro e a edificação do socialismo na URSS foram responsáveis por grandes descobertas e conquistas pioneiras e avanços civilizacionais e libertadores para os povos.

Foi a União Soviética que na Segunda Guerra Mundial, enfrentando sozinha durante três anos, os exércitos nazi-fascistas, deu um contributo determinante e decisivo para a sua derrota e para a profunda alteração da correlação de forças internacional, dando origem a uma nova ordem mundial, que inscreveu na Carta da ONU o respeito pela soberania dos povos, o desarmamento, a solução pacífica e negociada de conflitos entre estados e abrindo caminho a grandes avanços sociais e de libertação nacional.

A destruição da URSS e o enorme salto atrás que representou não desvaloriza as conquistas alcançadas e não branqueia o capitalismo, cuja natureza evidencia na actualidade a necessidade e urgência do projecto comunista, da sociedade nova liberta da exploração do homem pelo homem, que a Revolução de Outubro empreendeu.

Para o PCP, as comemorações do centenário da Revolução de Outubro não são manifestações saudosistas dum acontecimento datado e fixado no passado, mas referência fundamental na vida, na actividade e na luta que este Partido hoje trava pela defesa, reposição e conquista de direitos e pela satisfação das mais urgentes e sentidas reivindicações dos trabalhadores e das populações, pela ruptura com décadas de política de direita e com os constrangimentos externos a luta por uma alternativa patriótica e de esquerda indissociável da luta pela democracia avançada com os valores de Abril no futuro de Portugal, parte integrante e inseparável da luta pelo socialismo e o comunismo.

É pela força dos ideais e do projecto libertador da Revolução de Outubro que o PCP prossegue hoje os seus combates por um País desenvolvido, com justiça e progresso social, independente e soberano, um Portugal com futuro.

É pelos ideais e projecto libertador da Revolução de Outubro que se reforça a organização e luta dos trabalhadores e se desenvolve a intervenção do PCP por novos avanços na defesa, reposição e conquista de direitos e pela exigência de uma política de desenvolvimento soberano do País, luta que se trava hoje nos mais diversos sectores e que terá uma significativa expressão na manifestação nacional convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 18 em Lisboa.

Por mais que a ideologia dominante proclame o contrário, este não é o tempo do anunciado «fim da história» nem tão pouco da «morte do comunismo». Este é o tempo de prosseguir a luta pela sociedade nova cuja construção a Revolução de Outubro inaugurou. Este é o tempo da afirmação do socialismo como exigência da actualidade e do futuro.



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