• Gustavo Carneiro

A teoria e a prática da revolução socialista

O Fórum foi palco de dois vivos debates sobre a teoria e a prática da revolução socialista, não apenas de uma perspectiva histórica e filosófica, mas enquanto projecto concreto: no sábado à tarde, «Centenário da Revolução de Outubro – Socialismo, Exigência da Actualidade e do Futuro»; e, à noite, «O Capital, de Karl Marx».

No primeiro, falou-se das impressionantes e inapagáveis conquistas da primeira revolução socialista da história e do seu permanente apego à paz, mas também da natureza predadora e exploradora do capitalismo e do exigente e exaltante caminho para o socialismo em Portugal. Como afirmou Albano Nunes, da Comissão Central de Controlo (que partilhou a mesa com Manuel Rodrigues e Jaime Toga, da Comissão Política, e Pedro Guerreiro, do Secretariado), o carácter universal da Revolução de Outubro e a existência de leis gerais do desenvolvimento histórico não significa que existam «modelos» de revolução ou que seja possível «copiar» a experiência bolchevique.

A democracia avançada por que luta o PCP, prosseguiu, insere-se no processo de luta pelo socialismo. Nada tendo a ver com uma qualquer democracia burguesa, a democracia avançada tem uma natureza antimonopolista e anti-imperialista e assenta em «revolucionários objectivos, muitos dos quais são já da revolução socialista».

A premência de, hoje, se defender o legado da política externa soviética, assente na paz e na cooperação, procurando travar os mais agressivos intentos do imperialismo foi sublinhada por Pedro Guerreiro, ao passo que Jaime Toga realçou a expressão actual do capitalismo e a acentuação do seu carácter explorador e opressor. Manuel Rodrigues, por seu lado, lembrou as mais profundas conquistas da Revolução de Outubro e o seu impacto mundial, aprofundando as temáticas patentes na exposição (ver texto nestas páginas).

 

Instrumento de luta

O debate da noite visou assinalar a publicação do tomo VIII do livro terceiro de O Capital, de Karl Marx, que conclui a edição portuguesa da obra, iniciada em 1990 pelas Edições Avante!. Como começou por sublinhar Manuela Pinto Ângelo, do Secretariado, esta edição coincide com os 150 anos do início da publicação da obra pelo próprio Marx. Após realçar a actualidade e importância desta obra fundamental da teoria do socialismo científico, a dirigente comunista garantiu que ela não é um «livro de receitas pronto a servir», mas um instrumento para a interpretação e transformação do mundo a ser utilizado por todos quantos rejeitam os «cantos de sereia do fim da história»...

Francisco Melo, director das Edições Avante! e membro do Comité Central, justificou o intervalo de 27 anos entre o início e o fim da publicação integral de O Capital com as dificuldades inerentes a tal empreendimento. Realçando o contributo fundamental de José Barata-Moura, Francisco Melo garante que a tradução da obra agora integralmente publicada em português «recusa a facilitação» e é de «rigor acima de dúvida». De rigor e do trabalho esforçado inerente a qualquer actividade científica séria falou também José Barata-Moura, que alertou para os riscos de resumos e «atalhos» de uma obra tão importante e complexa como O Capital.

Rejeitando interpretações e leituras enganadoras que por aí andam, o filósofo valorizou o facto de a obra de Marx demonstrar, entre outras questões, que o capitalismo é um estádio de desenvolvimento historicamente transitório. Na ligação fundamental entre a teoria e a prática revolucionárias, Barata-Moura concluiu que «é preciso saber onde bater – e bater».

 



 Versão para imprimir            Enviar este texto            Topo

Outros Títulos: