Quando o povo é compositor e músico

A exposição de instrumentos populares portugueses construída a partir do espólio de Louzã Henriques, que esteve patente no Espaço Central, suscitou o vivo interesse de muitos visitantes. Para vários, as guitarras, cavaquinhos, adufes, concertinas, bombos e gaitas de foles aí expostos remetiam para as memórias de infância ou para as festas populares das aldeias, com as suas canções e danças tradicionais. Para outros, a mostra impressionava pela dimensão e variedade dos instrumentos, provenientes de todas as regiões do País.

Da Viola Braguesa do Minho à Gaita de Foles transmontana; do Bandolim da Beira Litoral ao Adufe das beiras interiores; da Flauta e do Acordeão da Estremadura ao Pandeiro quadrangular e à Viola Campaniça alentejanos; da Flauta Travessa de cana do Algarve à Viola de Arame da Madeira e ao Tambor de Folia açoriano – tudo isto e muito mais se mostrou e falou na exposição, onde também se pôde ouvir o som de alguns dos instrumentos e inclusivamente experimentá-los. Isto, claro, apesar de (como se lia num dos painéis), não ser possível «delimitar com precisão os territórios em que cada instrumento musical protagoniza a música do povo que a criou e que dela se serviu, uma vez que a circulação dos instrumentos musicais não é diversa da circulação dos seus executantes».

Destacando a voz como primeiro instrumento musical, os sons da infância e as canções de trabalho, festa e oração, a mostra – significativamente intitulada «Música, Povo, Luta» – foi sobretudo uma homenagem ao engenho e criatividade do povo, que sempre fez da música uma companheira fiel das suas dores, das suas lutas, das suas conquistas.

 



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