• Anabela Fino

A Festa é um arco-íris

A Festa está verde!

Qual quê?! A Festa é vermelha!

É vermelha, mas está verde, não vês?

Deixem-se disso, a Festa está mas é azul, não vêem o rio a envolver o terreno?

Que raio de conversa... Então não percebem? A Festa é um arco-íris!

E lá seguiram estrada fora, amigos, camaradas, vá-se lá saber, mochila às costas e gestos largos, a alegria nos rostos antecipando a festa, abrigando-se à sombra fresca das árvores e a agendar para mais tarde um passeio de barco – desta vez não vou perder pitada, garantia um, sabendo de antemão que é promessa vã.

A dificuldade está na escolha, já se sabe, e a Festa está longe de ser excepção. Vai uma pessoa beber uma bica para ganhar alento na subida do Cabo, a caminho do jogo que se disputa no Polidesportivo, e eis que fica presa no Palco Arraial onde um grupo etnográfico algarvio vestido a rigor de uma época onde mergulham as nossas raízes satiriza usos e costumes. Entra-se pela Quinta da Princesa, a estudar o caminho mais curto para o Avanteatro!, lá na outra ponta do terreno, para aquela peça que tanto se quer rever, e eis que o Palco Solidariedade nos prega a partida com o apelo de sons irrecusáveis – bora lá espreitar quem são? – e quando se dá conta já se perdeu a hora. Vai-se ao Espaço Ciência antes do debate previamente seleccionado – temos tempo – e nem se dá conta de que o tempo passa, mergulhados na leitura da informação exposta e atraídos pela explicação simples de fenómenos complexos, aulas vivas de ciência viva...

É assim todos os anos e é sempre um desconcerto voltar a constatá-lo ou descobri-lo pela primeira vez. Seja qual for o local por onde se entre, haja um plano ou se avance à descoberta sem plano nenhum, é certo e sabido que os três dias não chegam para abarcar uma Festa que tem uma dimensão muito para lá do espaço físico que ocupa. Daí a magia de partir à descoberta de uma Festa que é sempre nova, paleta de cores a que o rio veio acrescentar mais azul ao céu dos dias claros; forte de cheiros e sabores; ondulante nas bandeiras do Partido e da JCP – sempre –, na presença reforçada da CDU neste ano de eleições autárquicas, nos estandartes dos quatro cantos do mundo testemunhando a solidariedade de um Partido internacionalista e solidário; com uma tradição polifónica reforçada a cada ano; plural na expressão artística e cultural como plural é a intervenção política do Partido que a promove; vibrante de vida com os seus muitos milhares de visitantes.

A dificuldade está na escolha, cogita-se, enquanto o olhar se espraia pelo policromado recinto, vagueia até à outra margem num aceno a Lisboa, desliza devagarinho para o Barreiro e passeia pelo Seixal, voltando depois à Festa como quem chega a casa. Afinal, seja qual for a escolha, a Festa somos nós.

 



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