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Notas:


, e com eles letras ritmadas, veículo de intervenção, recordando que «We Used to Be Africans». Um colectivo de dez músicos, num cenário dinâmico, apresentou grooves afro-lusófonos, numa explosão de sons. «Façam barulho», apelou Milton Gulli, vocalista e guitarrista daquela formação. «Chapa 97» encerrou a actuação, que incluiu, entre outros temas, «Jorge De Capadocia» e «Big business feat».

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«Ouro sobre azul» foi, igualmente, o beat que se seguiu: Regula, apresentado como o rapper mais original da estratosfera nacional. Deliciou-nos com um espectáculo arrebatador, onde o improviso de «Tarzan», «Casca grossa», «Nasty» e «Langaife», muito actuais e críticos, foi alucinante.

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Sem perder a direcção da Lua, seguiram-se os Dervish, uma das bandas mais importantes da música tradicional irlandesa. A voz de Cathy Jordan, apaixonante, de cortar o fôlego, aliada ao vigor e beleza do som produzido pelos instrumentos – como o violino, a flauta irlandesa ou o acordeão – ecoou histórias de terras longínquas e de amor. Sob a influência dos druidas, foi impossível resistir à dança.

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Com um público cada vez mais numeroso, foi a vez de celebrar as canções de João Gil, que, como recordou, há 41 anos esteve na primeira edição da Festa do Avante!, na FIL. «Xácara das bruxas dançando», «Postal dos Correios», «Saudade», «Senta-te aí», «Zorro», «Ao fim do mundo», «Solta-se o beijo», «Ser poeta», «A história do Zé Passarinho» e «125 Azul» foram temas [que ganharam uma nova vida] interpretados por Celina da Piedade, Pedro Tatanka, Ala dos Namorados (com Nuno Guerreiro) e Carlão. Numa reunião de talentos, terminaram com «Loucos de Lisboa».

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António Zambujo foi o «Senhor» que se seguiu. De regresso ao Avante!, a actuar pela primeira vez naquele palco, o músico – acompanhado por outros, de distintas áreas musicais – cantou alguns dos seus maiores sucessos. «Guia» abriu o espectáculo, seguindo-se os temas «A casa fechada» e «Valsa de um pavão ciumento». «É um prazer muito grande tocar aqui esta noite», confidenciou o alentejano, tocando de seguida: «Quando tu passas por mim», «Canção de Brazzaville», «Flagrante» e «A tua frieza gela», com o som do tropete a fazer arrepiar. Continuou com «Balada de Outono», de Zeca Afonso, «Gota de água», «Milagrário Pessoal» e, numa homenagem a Chico Buarque, «Tanto Mar», uma saudação à Revolução dos Cravos. Magnífico.

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A música de festa chegou com os Amparanoia, de Espanha, que apresentaram – entre temas como «Somos viento» e «En la noche» – o novo álbum «El Coro De Mi Gente», que «fala de paz, de unidade e de positividade». Uma explosão de ritmos quentes, onde se encaixam diversas influências, como o reggae, o ska, o soul, o mexican ranchera e o rock. O espectáculo abriu com «Welcome to tijuana» e terminou com «Bella Ciao».

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O dia de sábado terminou como começou, em português, ao som de Rui Veloso, que se fez acompanhar por uma big band constituída por músicos fabulosos. O cantor, compositor e guitarrista recordou, noite adentro, alguns dos seus êxitos de sempre, como «O amor em vão», «Os velhos do jardim», «A ilha», «Sei de uma camponesa», «Porto Covo» e «Já não há canções de amor».

Domingo

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O último dia arrancou com os The Black Wizards, um projecto criativo com quatro jovens músicos a proporcionar sons extremamente poderosos.

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Seguiram-se os Boikot, banda madrilena de punk-rock, caracterizada pelo seu compromisso social e mensagem política, o que comprovou no tema «Jarama», que conta a história de um dos 350 brigadistas irlandeses que vieram lutar ao lado dos republicanos na guerra civil espanhola. A sua energia, pura, estendeu-se ao público, que não parou um só instante, também nas adaptações de «Comandante Che Guevara», «Kalasnikof» e «Bandera Roja».

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De Espanha seguimos para os ritmos quentes cabo-verdianos, do funaná, com os Fogo Fogo, um vulcão que está longe de estar extinto. «Djonsinho Cabral», de Os Tubarões, abriu a sala de dança, fazendo gingar o corpo, como uma tempestade tropical. Ali, para além do original «Nha cutelo», apresentaram também «E si propi» e «M'bem di fora».

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À tarde, actuaram ainda os italianos Modena City Ramblers. Os seus temas, combativos, inspirados no folk irlandês [trazendo à memória os The Pogues] e no rock popular, são verdadeiros hinos anti-máfia, como fala o tema «I Cento Passi» – dedicado a Peppino Impastato, jornalista e activista italiano, assassinado por ter lutado contra a Cosa Nostra na Secília – e anti-fascista. «El Señor T-Rex», «In un giorno di pioggia», uma trova dos tempos modernos, «Fischia il vento» inspirado na Katyusha e «Bella Ciao» chamaram ainda mais gente para o comício de encerramento da Festa do Avante!.

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Com a noite a instalar-se, Paulo de Carvalho celebrou ali os seus 55 anos de carreira com um concerto que reuniu alguns dos seus maiores sucessos, como «Flor sem tempo», «Maria vida fria», «10 anos», «Abracadabra», «O meu mundo inteiro», «Mãe negra», «Os Meninos de Huambo» e «Depois do amor».

A meio do concerto, o cantor chamou para o palco os músicos Sandro Costa (guitarra portuguesa) e Carlos Manuel (viola) para três temas de fado que ele musicou: «O homem das castanhas», «Os putos» e «Lisboa menina e moça», com letras de Ary dos Santos.

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Segui-se o som original dos Mão Morta, com o estilo inconfundível do seu vocalista, Adolfo Luxúria Canibal. «Boa noite camaradas. Esperei muitas dezenas de anos por isto» [tocar na Festa do Avante!], frisou. No maior palco da Festa, a banda de culto – com instrumentos «ferozes», mas que seduzem e nos reportam para outras dimensões – ofereceu o melhor da sua carreira, de rock puro e duro, sem precisar de recorrer a um dos seus hinos: «Budapeste». «Aum» abriu a actuação, sempre vincada por elementos dramáticos, que seguiu com «Até cair», «Paris» e «Pássaros a esvoaçar», que desmascara o drama do desemprego. «Bófia» e «Véus caídos», «Em directo (para a televisão)» e «Barcelona» contaram outras histórias, alucinantes. Despediram-se da boa companhia do público com «Lisboa».

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Os Língua Franca, projecto que junta os portugueses Capicua e Valete aos brasileiros Emicida e Rael, encerrou a programação. Mesmo com um oceano a separá-los, este não foi só um concerto de rap luso-brasileiro, mas de amor pela música, que também comanda a vida, e de reflexão, consciência e intervenção.

Naquela extraordinária aventura que é a língua portuguesa, os quatro mestres do microfone, alternadamente em palco, arrancaram com «Génios invisíveis» e continuaram, a divertir, com «Ela», «Ideal», «Afrodite», «Minha lei», «Amigos», «A chapa é quente» e «(A)tensão», que alerta para os dilemas, problemas sociais e políticos do «mundo escuro».

A jogar em casa, o concerto ficou marcado pelo grito de revolta de Valete, que rimou militantemente «Rap consciente», guerrilheiro, porque «se é para morrer, morremos de pé». De Capicua, com Valete, «Medusa» – que alerta para outras questões, como a violência doméstica e para o cyberbullying nas mulheres – foi outro tema que fez explodir a «sala».

Após a última nota da Carvalhesa, abrilhantada por um fogo de artifício magnífico, a saudade começa a apertar, porque os bons momentos, também no Palco 25 de Abril, foram muitos. Fica o alento de saber que no próximo ano a 42.ª edição da Festa será ainda maior, melhor e mais bonita.




Edição Nº 2284
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