- Edição Nº2280  -  10-8-2017

CDU mantém alerta
para hospitais de Lisboa

INJUSTIFICÁVEL O modelo de construção do novo hospital em Lisboa não pode servir de pretexto para encerrar e desmantelar seis hospitais de referência na cidade, insiste a CDU, lembrando factos relevantes.

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A coligação PCP-PEV reagiu, no dia 2, quarta-feira, a mais um anúncio governamental sobre o Hospital Oriental, feito na véspera pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, a propósito do lançamento, este Verão, do concurso público internacional para a construção, em modelo de parceria público-privado.

Para a CDU, o que foi agora dito aos jornalistas «não pode servir de pretexto para o encerramento e desmantelamento de seis hospitais da cidade de Lisboa (São José, Capuchos, Santa Marta, Estefânia, Curry Cabral e Maternidade Alfredo da Costa), que são unidades com especialidades únicas no País». «Todos estes hospitais receberam em 2016 uma certificação internacional reconhecendo a sua qualidade e excelência», salienta-se na nota de imprensa da CDU.

Em primeiro lugar, recorda-se que em 2009 o Estado vendeu à Estamo os hospitais de São José, Capuchos, Santa Marta e Miguel Bombarda (este já desactivado, com relevante função assistencial e valioso património histórico), «cujos territórios são equivalentes à área de 16 estádios de futebol, grosso modo, toda a área da baixa pombalina». Desde então, o Ministério da Saúde «ficou a pagar anualmente uma renda de seis milhões de euros à Estamo pela utilização dos três hospitais em funcionamento». Agora, o Governo veio dizer que São José e Santa Marta ficarão afectos à Saúde, o que suscita interrogações, designadamente sobre o motivo por que foram vendidos à Estamo e se o Estado continuará a pagar renda.

Por outro lado, a revisão do PDM, por proposta do Executivo PS, «alterou e liberalizou o uso dos solos na Colina de Santana, viabilizando os projectos imobiliários de luxo previstos, situação que, até essa revisão, não era permitida» e que não está alterada.

Além do mais, ficou confirmado que «o novo hospital não terá capacidade para absorver os serviços prestados pelos seis hospitais do Centro Hospitalar de Lisboa Central».

Por fim, o modelo PPP para a construção implica que «o Estado terá de pagar ao operador privado escolhido, só em juros, 132 milhões de euros, o que indicia mais um negócio ruinoso para o interesse público», concluindo a CDU que «nada nos descansa sobre o modelo a ser escolhido para a gestão do hospital».