Os operadores
de armazém
devem progredir mais na carreira
Lutas nas empresas com resultados à vista

NEGOCIAÇÃO Com firmeza na luta, os trabalhadores da Tegopi alcançaram uma importante valorização salarial e a APED avançou com uma contraproposta para a carreira dos operadores de armazém.

Os resultados da luta estão à vista na Tegopi, cujos trabalhadores lutaram e conseguiram um aumento de 30 euros e a eliminação progressiva da desigualdade salarial na empresa, destacou a Fiequimetal/CGTP-IN. Citando um comunicado do SITE Norte, o seu sindicato naquela metalomecânica do concelho de Vila Nova de Gaia, a federação realçou que foi alcançada uma alteração substancial dos salários-base.
«Durante vários dias consecutivos», os operários «fizeram greve e concentraram-se à porta da empresa», assim conseguindo que, no final de Maio, tivessem os seus salários valorizados em 30 euros, no mínimo. Mas houve muitos trabalhadores cujos salários aumentaram em mais do dobro deste valor, como os que estão no Grau 8, somando 30 euros de acerto salarial aos 30 euros de aumento.
Os salários-base passaram a ser de 600 euros (trabalhadores no Grau 9), 700 euros (Grau 8) e 800 euros (Grau 7).
No entanto, o sindicato defende que «é preciso continuar a luta», porque, tal como ficou provado no último plenário, a 22 de Maio, os trabalhadores continuam a reivindicar melhores condições de trabalho e as desigualdades salariais ainda persistem, fruto de uma avaliação de desempenho que contém muitas injustiças e não resolve de vez a desigualdade salarial em alguns sectores da empresa.

APED desbloqueia

A greve de 24 horas e as concentrações marcadas para dia 8, nas empresas proprietárias das cadeias Pingo Doce e Continente, foram desconvocadas na véspera, porque a associação patronal da grande distribuição (APED) e as empresas filiadas «finalmente desbloquearam a apresentação de propostas, reconhecendo o direito dos operadores de armazém a uma maior progressão na carreira» e à «valorização» desta, anunciou no dia 7 o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal.
Num comunicado, o CESP/CGTP-IN destacou que «vale a pena lutar» e adiantou os contornos da contraproposta patronal, que prevê três níveis salariais: até três anos de serviço (operador de armazém B), de três a seis anos (operador de armazém A, semelhante ao nível do operador de supermercado de 2.ª) e mais de seis anos (operador de armazém de 1.ª, idêntico ao operador de supermercado de 1.ª).
Para o sindicato, é «muito importante esta evolução positiva», a qual «vem ao encontro das propostas dos trabalhadores», estando assim «criadas as condições para não realizar as concentrações e acções e luta» no dia 8.
Na negociação do contrato colectivo de trabalho, o CESP «vai continuar a exigir o aumento dos salários e que a carreira profissional dos operadores de armazém evolua até ao nível do operador especializado». O sindicato alerta que os trabalhadores devem continuar «unidos e mobilizados para, se necessário, acentuar a luta em prol destas reivindicações».

Também na FNAC foi desconvocada de véspera a jornada marcada para dia 8, que incluía greve e concentrações frente a três lojas. Em comunicado, o CESP informou que a empresa, «a meio da convenção FNAC», realizou uma reunião de urgência com os representantes sindicais e assumiu compromissos.
A empresa declarou «disponibilidade para correcção da injustiça na carreira profissional dos operadores de armazém e a sua equiparação aos operadores das lojas», comprometendo-se a realizar uma nova reunião, ainda em Junho, «para análise e discussão de todos os problemas concretos dos trabalhadores, inventariados pelo CESP». O sindicato recorda que estão em causa «horários flexíveis, contratos a termo, regularização dos horários de trabalho, categorias profissionais e salários (nomeadamente dos supervisores), assédios e pressões, desconto ilegal de horas trabalhadas».
O CESP avançou para a realização de «plenários e contactos com os trabalhadores de todos os locais de trabalho», apelando à participação de todos, «fundamental para o êxito das nossas reivindicações e para a melhoria das condições de trabalho».

 



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