Está em jogo um Brasil livre, soberano, justo e democrático
Greve geral e «Directas Já» mobilizam povo brasileiro

BRASIL Intensifica-se a resistência popular contra o governo de Temer. As centrais sindicais convocaram uma greve geral para 30 de Junho e foi lançada uma frente suprapartidária pelas «Directas Já».

As centrais sindicais anunciaram para 30 de Junho uma nova greve geral no Brasil. A organização do movimento está em marcha e no dia 20 prepara-se uma grande mobilização para criar condições para a greve. Em todas as capitais estaduais estão previstos protestos, distribuição de panfletos, assembleias à porta das fábricas, paralisação de lojas e bancos e outras acções.

A greve geral é convocada no quadro da resistência dos trabalhadores brasileiros em defesa dos seus direitos. Os sindicatos entendem que só com a luta é possível impedir a liquidação de conquistas históricas como as férias, o 13.º salário, o emprego com direitos.

A par do combate contra as reformas laborais e da previdência social, a mobilização popular faz-se também em torno das bandeiras «Fora Temer» e «Directas Já».

Face ao agravamento da crise no país e as dificuldades crescentes no seio do governo golpista do presidente Michel Temer e dos seus apoiantes, a expectativa dos sindicatos é a de que esta greve geral seja um êxito.

 «Directas Já»

Foi lançada no Congresso brasileiro, dia 7, a frente suprapartidária «Directas Já», com a participação de partidos políticos, centrais sindicais e organizações sociais.

Parlamentares do Partido Comunista do Brasil (PC do B), do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e de outras forças democráticas exigem uma emenda à Constituição que garanta eleições directas no caso de vacatura da presidência da República.

A líder parlamentar comunista, Alice Portugal, salientou que, na perspectiva do afastamento de Temer, apenas a decisão popular dará legitimidade ao futuro presidente. A deputada considerou que «só com o voto da população brasileira teremos a capacidade de reverter os prejuízos que este governo ilegítimo tem causado à nação brasileira» e que «não há saída fora da democracia e não há saída com essa agenda ultraliberal».

Para a presidente do PCdoB, Luciana Santos, também deputada, a criação de frentes amplas é um instrumento de resistência contra o «consórcio golpista que retirou Dilma Rousseff da presidência». A frente pelas eleições directas «é um marco na luta para barrar esta agenda fruto de um golpe de Estado, barrar o arbítrio a que temos assistido nas ruas, da violência contra as manifestações e organizações populares, além da criminalização da política», destacou.

De acordo com um dirigente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, a iniciativa reforça a vontade das ruas. Lembrou a histórica luta pelas «Directas Já», da qual a UNE teve importante participação. «Uma das nossas maiores batalhas, nestes 80 anos de existência, foi pela retomada da democracia. Nós entendemos que só com a soberania popular será possível retornar aos trilhos do desenvolvimento», disse o líder estudantil.

 O que está em jogo

A frente pelas «Directas Já» considera que o Brasil atravessa uma grave crise política, económica, social e institucional e que Michel Temer não reúne as condições nem a legitimidade para seguir na presidência da República. Assim, a saída desta crise depende fundamentalmente da participação do povo nas ruas e nas urnas e só as eleições directas, portanto a soberania popular, podem restabelecer a legitimidade do sistema político.

Para a Frente, «a manutenção de Temer ou sua substituição sem o voto popular significa a continuidade da crise e dos ataques aos direitos», hoje materializados na tentativa de acabar com a reforma dos trabalhadores, os direitos laborais e as políticas públicas, «além de outras medidas que atentam contra a soberania nacional».

Apelando à participação popular nesta luta, os defensores das «Directas Já» lembram que «o que está em jogo não é apenas o fim de um governo ilegítimo, mas sim a construção de um Brasil livre, soberano, justo e democrático».

 



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