Outras soluções antes perspectivadas
pela empresa
não se concretizaram
Soares da Costa recorre a PER
Mais valia pagarem

Foram de reserva as primeiras reacções das organizações representativas dos trabalhadores à notícia de que a Soares da Costa decidiu anteontem, dia 9, recorrer a um Plano Especial de Revitalização.

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Na quarta-feira, a Comissão de Trabalhadores e os sindicatos da Construção do Norte e Viana e SITE Norte iriam analisar a decisão da administração, os argumentos desta e as consequências para as cerca de 400 pessoas que continuam sem receber salários há vários meses (entre cinco e dez, incluindo subsídio de férias). José Martins, dirigente sindical e da CT, referiu ao Avante! que parece haver um acordo tácito da empresa com os principais credores (bancos), de modo a estes assegurarem um urgente financiamento, após ser deferido o PER no Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia.

Precisamente nesse sentido pronunciou-se o presidente executivo da Soares da Costa. Citado pela agência Lusa, Joaquim Fitas disse que o PER propiciará que sejam desbloqueados os meios financeiros para que a situação dos salários em atraso «entre esta semana e a próxima, o mais tardar, fique completamente regularizada».

Mas Luís Pinto, do SITE Norte, declarou-se «nada optimista», lembrando o que se conhece de PER ocorridos nos últimos anos. «A maioria das empresas não teve grande sucesso, contam-se pelos dedos as que foram recuperadas», disse o dirigente sindical à Lusa.

José Martins reafirmou-nos as preocupações com algumas implicações do recurso ao PER, particularmente quanto a reajustamentos, reestruturações e perdões de dívidas. Mas observou que «há obras a entrar», o que vem confirmar que a construtora pode ter futuro e preservar os postos de trabalho, como os trabalhadores e os seus representantes têm defendido firmemente. A falta de resposta efectiva da administração à exigência de regularização dos salários e os vários episódios ocorridos desde há mais de dois anos justificam as muitas reservas de José Martins quanto às expectativas manifestadas pela administração com o recurso ao PER. «Mais valia pagarem-nos, mas se é necessário o PER, venha o PER», comentou.

Ainda na quinta-feira, dia 4, quando uma centena de trabalhadores realizou a terceira deslocação a Lisboa, para reclamarem o pagamento dos salários e a garantia de estabilidade e futuro para a empresa e os postos de trabalho, Luís Pinto e João Torres, da Comissão Executiva da CGTP-IN, referiram à nossa reportagem mais um facto que coloca em causa o verdadeiro objectivo da administração. Perante casos de trabalhadores que requereram o despedimento por justa causa, a empresa apresentou recurso, protelando assim o acerto de contas.

Enquanto uma delegação se reunia nessa tarde com um administrador, na delegação da Soares da Costa na Rua Soeiro Pereira Gomes, os trabalhadores permaneceram junto ao edifício de escritórios onde esteve instalada a Bolsa de Lisboa. Exibiam faixas e cartazes e gritavam palavras de ordem, como tinham feito poucas horas antes no Camões, junto ao Ministério da Economia. Aqui, um adjunto do ministro disse à delegação de representantes sindicais e da CT que o problema estava a ser colocado pela primeira vez neste ministério (representado em reuniões anteriores, no Ministério do Trabalho), mas que iria fazer alguns contactos ainda antes de ir de férias...

Na sexta-feira, já estavam de novo em Lisboa representantes dos trabalhadores, para uma reunião agendada há mais de uma semana e que a administração tinha confirmado na véspera, quando esta desmarcou o encontro.

Com o tempo a passar, agravam-se os dramas dos trabalhadores e das suas famílias, somando-se os encargos financeiros por cumprir, e as consequências não se compadecem com a explicação de que a empresa onde trabalham não lhes paga há vários meses. Para o pessoal da construtora, em resposta ao desgaste imposto pelas opções patronais, resta o ânimo para prosseguir a luta.

 



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