É preciso compensar
as perdas
e ganhar justiça na repartição
da riqueza
Reivindicações na EDP, REN, PT e CTT
Por melhores salários em 2016

Os sindicatos da CGTP-IN apresentaram propostas reivindicativas nas empresas dos grupos EDP, REN, PT Portugal e CTT, exigindo aumentos salariais que compensem perdas e injustiças.

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Os valores reclamados resultam da consideração de que o aumento mínimo de quatro por cento ou 40 euros por mês, que a confederação aprovou como orientação geral, deve ser ponderado com as condições concretas de cada empresa e sector.

CTT e PT

A proposta do Sindicato Nacional dos Correios e Telecomunicações para a PT Portugal foi entregue a 29 de Dezembro. Uma semana antes, o SNTCT tinha formalizado as reivindicações a negociar com os CTT (incluindo as participadas cujos trabalhadores não estão abrangidos pelo Acordo de Empresa). Em ambas as propostas o sindicato da Fectrans/CGTP-IN reclama uma actualização salarial de quatro por cento, assegurando um mínimo mensal de 35 euros, com efeitos ao primeiro dia de 2016.
Na PT Portugal, a proposta sindical abarca, além da tabela de remunerações, as demais matérias de expressão pecuniária e o prémio de aposentação ou reforma. «Os valores apresentados têm em consideração que os trabalhadores da PT não foram aumentados em 2011, 2012, 2014 e 2015» e «viram o seu poder de compra substancialmente reduzido», «por causa do aumento de impostos e dos cortes nas prestações sociais, como refere um comunicado do SNTCT.
Valores idênticos são expressos na proposta enviada à Comissão Executiva dos CTT, para «recuperar uma parte do poder de compra perdido pelos trabalhadores ao longo dos últimos anos, durante os quais o governo PSD/CDS impôs o congelamento salarial». «Por outro lado, é justo que, sendo os trabalhadores que contribuem decisivamente para os lucros dos CTT e para a boa imagem da empresa, apesar dos parcos meios que lhes são postos à disposição e tendo que trabalhar para além dos seus horários, tenham o direito de ver as suas remunerações aumentadas», afirma o sindicato.
Propostas semelhantes foram entregues à administração da DHL Aviation e vão ser enviadas, nos próximos dias, à Chronopost Portugal, CTT Contacto. CTT Expresso, Mailtec, DHL Express e UPS.
O sindicato informou ainda, esta segunda-feira, dia 4, que vai propor este mês à Associação Portuguesa de Operadores Expresso a negociação de um acordo colectivo de trabalho.
 

EDP e REN

No final de Dezembro, a Fiequimetal/CGTP-IN revelou que na proposta de revisão salarial para 2016 apresentada à administração da EDP defende uma subida de quatro por cento no salário-base e nas anuidades e em todas as rubricas de expressão pecuniária.
Esperando que as negociações se iniciem em Janeiro, a Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas refere, num comunicado aos trabalhadores das empresas do grupo, que a proposta começou por ser discutida em plenários, no mês de Novembro, e foi aprovada em plenário nacional de delegados sindicais da EDP, a 4 de Dezembro.
Os valores reclamados resultam da necessidade de os trabalhadores verem aumentados os seus salários reais, de forma a serem compensados pelas perdas provocadas pelo valor da inflação e pela carga excessiva dos impostos, entre outros factores. A Fiequimetal nota ainda que «os ganhos de produtividade e os lucros anuais alcançados pela EDP continuam em níveis substancialmente elevados», pelo que «é compreensível e justo que os trabalhadores reclamem que uma parte desse valor possa reverter para melhorar os seus salários».
A REN apresentou, em 2014, lucros superiores a 112 milhões de euros, e registou mais de 91 milhões no terceiro trimestre de 2015, o que perspectiva um lucro anual ainda superior, observa a federação, acrescentando que «a elevada produtividade registada, cujo valor médio dos últimos cinco anos é quase de seis por cento, deve obrigatoriamente ser repartida, pois esta é fruto do esforço dos trabalhadores».
Exige-se também «uma mais justa distribuição da riqueza», protestando porque 80,95 por cento dos lucros obtidos em 2014 foram para os accionistas, atribuindo a empresa «uns míseros 2,39 por cento» aos trabalhadores. Assinala-se ainda que os custos com o pessoal continuam a diminuir, mas o Conselho de Administração aumentou as suas remunerações e os ditos benefícios de curto prazo em 5,4 por cento.
Realizados os plenários de trabalhadores, foi enviada à REN uma proposta a exigir uma actualização de quatro por cento nas tabelas salariais e matérias de expressão pecuniária.

 



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