Espaço Central

No «coração da Festa»<br>pulsa a alternativa

Ele­mento in­con­tor­nável na Festa do Avante!, o Pa­vi­lhão Cen­tral fun­ciona, du­rante três dias, como um au­tên­tico salão de vi­sitas do PCP. Ali é pos­sível co­nhecer me­lhor os co­mu­nistas e o seu Par­tido, o seu pas­sado e pre­sente de luta, as pro­postas e ob­jec­tivos para a ac­tual etapa e o seu ideal e pro­jecto re­vo­lu­ci­o­nário de trans­for­mação so­cial e cons­trução da so­ci­e­dade sem classes an­ta­gó­nicas.

As so­lu­ções e a po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda, que o PCP propõe, estão em des­taque

É jus­ta­mente com esses pro­pó­sitos que, este ano, o Es­paço Cen­tral de­dica parte do seu con­teúdo a mo­mentos mar­cantes da re­sis­tência e avanço dos povos: no con­texto in­ter­na­ci­onal, a der­rota da ex­pressão mais vi­o­lenta do ca­pi­ta­lismo na sua fase im­pe­ri­a­lista – o nazi-fas­cismo; no quadro na­ci­onal, a luta do povo por­tu­guês pela con­so­li­dação da li­ber­dade e da de­mo­cracia con­quis­tadas com o 25 de Abril de 1974, pelo pro­gresso so­cial e eco­nó­mico nas con­di­ções pro­por­ci­o­nadas pela re­vo­lução. Ba­ta­lhas nas quais os co­mu­nistas as­su­miram a pri­meira linha e foram os mais co­e­rentes pro­mo­tores da uni­dade, da ver­dade e da prá­tica co­e­rente.

No ano em que se as­si­nala os 70 anos da vi­tória sobre o nazi-fas­cismo, no Es­paço Cen­tral evoca-se a efe­mé­ride lem­brando as causas fundas da as­censão da bar­bárie hi­tle­riana, a quem servia e a quem era di­rigia – à URSS, pri­meiro Es­tado de ope­rá­rios e cam­po­neses do mundo, e ao mo­vi­mento ope­rário e po­pular que, ani­mado pelo exemplo da pá­tria do so­ci­a­lismo, re­for­çava a sua in­fluência e al­can­çava con­quistas ci­vi­li­za­ci­o­nais.

Na evo­cação su­blinha-se, ainda, a ar­qui­tec­tura mun­dial edi­fi­cada no pós-guerra, a qual per­mitiu o sur­gi­mento de novas na­ções e pro­meteu um fu­turo de paz. Esse equi­lí­brio de forças e re­so­lução pa­cí­fica de di­fe­rendos tem vindo a ser des­truído e es­pe­zi­nhado pelo ca­pi­ta­lismo dito triun­fante mas en­volto em con­tra­di­ções in­sa­ná­veis, as quais pro­cura ul­tra­passar se­me­ando novas guerras de ra­pina e o mi­li­ta­rismo, apos­tando numa ordem he­ge­mó­nica con­trária aos in­te­resses dos povos.

De­nuncia-se, por outro lado, a cum­pli­ci­dade das grandes po­tên­cias mun­diais não apenas com o na­zismo mas também com o fas­cismo na Itália, Es­panha e Por­tugal, onde Sa­lazar im­punha uma di­ta­dura des­ti­nada a oprimir o povo por­tu­guês sob uma férrea ex­plo­ração de classe. Não sem re­sis­tência, porém, pois tal como os an­ti­fas­cistas por toda a Eu­ropa e no país dos so­vi­etes, também em Por­tugal nunca os tra­ba­lha­dores e o seu Par­tido, o PCP, do­braram à mais brutal re­pressão, per­cor­rendo um ca­minho de luta, clan­des­tina mas vol­tada para a cons­ci­en­ci­a­li­zação po­lí­tica e a rei­vin­di­cação de massas, que acabou por re­sultar no der­rube do fas­cismo.

Va­lores car­re­gados de fu­turo

Se o com­bate e triunfo sobre o na­zismo e sobre o re­gime fas­cista em Por­tugal en­cerram im­por­tantes en­si­na­mentos e ex­pe­ri­ên­cias para o pre­sente em que in­ter­vimos, o mesmo pode dizer-se das con­quistas de Abril. As­si­na­lando os 40 anos da Re­forma Agrária e das Na­ci­o­na­li­za­ções, no Es­paço Cen­tral des­taca-se a de­mo­cra­ti­zação do acesso e uso da terra, con­quis­tada após uma longa luta do ope­ra­riado agrí­cola. Nos campos do Alen­tejo e Ri­ba­tejo, a Re­forma Agrária acabou com o la­ti­fúndio, com o ab­sen­tismo agrário e com o de­sem­prego cró­nico; er­ra­dicou o anal­fa­be­tismo e a sub­nu­trição e ga­rantiu ou­tras ex­pres­sões de pro­gresso eco­nó­mico e so­cial. Nas con­di­ções ac­tuais, uma nova Re­forma Agrária é ne­ces­sária para pôr Por­tugal a pro­duzir, ga­rantir a so­be­rania ali­mentar do País e o pleno em­prego, es­tancar a de­ser­ti­fi­cação e re­vi­ta­lizar as zonas ru­rais.

Quanto às Na­ci­o­na­li­za­ções, lembra-se que estas foram im­ple­men­tadas para de­fender a li­ber­dade e de­mo­cracia e acabar com os mo­no­pó­lios que sus­ten­taram o fas­cismo e cons­ti­tuíam, em 1975, a prin­cipal base de apoio dos sec­tores mais re­ac­ci­o­ná­rios na sua acção contra-re­vo­lu­ci­o­nária. Quase quatro dé­cadas de po­lí­tica de di­reita con­cre­ti­zada por PS, PSD e CDS, cerca de três dé­cadas de in­te­gração na União Eu­ro­peia e mais dé­cada e meia de adopção da moeda única, re­sul­taram na pri­va­ti­zação da ge­ne­ra­li­dade das em­presas na­ci­o­na­li­zadas e no des­man­te­la­mento da maior parte do sector em­pre­sa­rial do Es­tado cons­truído após a Re­vo­lução. Um rumo de de­sen­vol­vi­mento so­be­rano exige, hoje, um forte sector pú­blico e o con­trolo de­mo­crá­tico, por parte do Es­tado, de seg­mentos e em­presas es­tra­té­gicos da eco­nomia.

A re­forma Agrária e as Na­ci­o­na­li­za­ções foram re­a­li­dades ob­jec­tivas que cor­res­pon­deram a ne­ces­si­dades con­cretas e as­pi­ra­ções das massas. Per­mi­tiram vis­lum­brar uma or­ga­ni­zação da so­ci­e­dade com re­la­ções de novo tipo, en­cer­rando um con­junto de va­lores e con­cre­ti­za­ções de Abril que se pro­jectam num Por­tugal com fu­turo, cons­ti­tuindo ins­pi­ração para as so­lu­ções e a po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda, que o PCP propõe para o País, e cuja ex­pla­nação es­tará pa­tente numa im­pres­siva mostra no Es­paço Cen­tral (ver caixa).

 

«A força do povo – So­lu­ções
para um Por­tugal com fu­turo»

A ex­po­sição in­ti­tu­lada «A força do povo – So­lu­ções para um Por­tugal com fu­turo», que es­tará dis­po­nível no Es­paço Cen­tral, sin­te­tiza as so­lu­ções pro­postas pelo PCP para uma ver­da­deira po­lí­tica al­ter­na­tiva, capaz de romper com a po­lí­tica de di­reita do PS, PSD e CDS-PP que con­duziu o País a um dos pe­ríodos mais ne­gros da sua his­tória re­cente.

Na ex­po­sição, traça-se um quadro geral da crise do ca­pi­ta­lismo e das suas con­sequên­cias, sa­li­enta-se al­guns dos as­pectos mais re­le­vantes da si­tu­ação eco­nó­mica e so­cial do País, como as pri­va­ti­za­ções e o es­bulho da ri­queza na­ci­onal, a po­breza e ex­clusão, a ofen­siva contra os tra­ba­lha­dores e a de­gra­dação do re­gime de­mo­crá­tico, e de­nuncia-se os res­pon­sá­veis pela po­lí­tica de di­reita ao ser­viço do ca­pital mo­no­po­lista, das mul­ti­na­ci­o­nais e de in­te­resses es­tran­geiros: PS, PSD e CDS.

Para o PCP, como se re­vela na mostra, é a partir da luta dos tra­ba­lha­dores e do povo, contra a po­lí­tica de di­reita, para romper com as falsas «ine­vi­ta­bi­li­dades», da con­ver­gência e uni­dade das ca­madas an­ti­mo­no­po­listas es­ma­gadas pelo rolo com­pressor da con­cen­tração e cen­tra­li­zação do ca­pital – luta que contou sempre com o apoio e a in­ter­venção dos co­mu­nistas –, que se de­fende novas po­lí­ticas de al­ter­na­tiva aos cons­tran­gi­mentos à so­be­rania na­ci­onal e ao de­sen­vol­vi­mento do País, as quais de­correm desta in­te­gração eu­ro­peia e do con­junto dos seus ins­tru­mentos. São também apre­sen­tados os grandes ob­jec­tivos e eixos do Pro­grama Elei­toral do PCP para um Por­tugal com fu­turo.

«Este é um tempo para os tra­ba­lha­dores e o povo fa­zerem ouvir a sua voz e, com o apoio ao PCP e à CDU, pôr fim ao cír­culo vi­cioso da al­ter­nância sem al­ter­na­tiva e abrir portas a uma vida nova de pro­gresso e de­sen­vol­vi­mento para os por­tu­gueses», con­clui-se na ex­po­sição, lem­brando um trecho da in­ter­venção do Se­cre­tário-geral do PCP, Je­ró­nimo de Sousa, no En­contro Na­ci­onal do PCP – Não ao de­clínio na­ci­onal. So­lu­ções para o País.

 

Honrar o pas­sado
re­flectir sobre o pre­sente

No ha­bi­tual es­paço da im­prensa do Par­tido si­tuado no Pa­vi­lhão Cen­tral, será pos­sível ob­servar como era com­posto, na clan­des­ti­ni­dade, o Avante!, O Mi­li­tante e ou­tros jor­nais e fo­lhetos, bem como re­flectir sobre os de­sa­fios e exi­gên­cias que estão hoje co­lo­cados à im­prensa par­ti­dária. Uma forma de honrar o pas­sado olhando-o com or­gulho, e de apurar co­nhe­ci­mento sobre o pre­sente. Local pri­vi­le­giado para a aná­lise serão os três dos prin­ci­pais lo­cais de de­bate da Festa: o Fórum, o Au­di­tório e o À Con­versa com…, es­paços re­che­ados de uma pro­gra­mação que, du­rante três dias, in­cide sobre temas da ac­tu­a­li­dade na­ci­onal e par­ti­dária, e nos quais é pos­sível in­tervir, para co­locar ques­tões, apro­fundar o co­nhe­ci­mento sobre a re­a­li­dade ou con­tri­buir na per­ma­nente re­flexão co­lec­tiva.

 

Tomar Par­tido

Muitos de­cre­taram o ine­xo­rável de­sa­pa­re­ci­mento e/​ou de­fi­nha­mento do PCP. Os arautos da des­graça en­ga­naram-se e hoje o PCP acu­mula um pres­tígio e in­fluência cres­centes. A prová-lo estão, entre ou­tros fac­tores, os su­cessos al­can­çados nas cam­pa­nhas de re­cru­ta­mento.

Du­rante a Festa do Avante!, no es­paço Adere ao PCP, si­tuado no Pa­vi­lhão Cen­tral, os vi­si­tantes podem con­versar com di­ri­gentes e mi­li­tantes do Par­tido, es­cla­recer dú­vidas, co­locar ques­tões e que­brar mitos e pre­con­ceitos sobre quem são, como lutam e o que pre­tendem os co­mu­nistas por­tu­gueses. E, quem sabe, dar o passo de in­te­grar o grande co­lec­tivo par­ti­dário, jun­tando a sua energia mi­li­tante em de­fesa do ideal co­mu­nista, da con­cre­ti­zação dos seus ob­jec­tivos e pro­jecto.

 

Con­vívio, lazer e algo mais

O Café da Ami­zade é um ponto de en­contro e de pas­sagem obri­ga­tória no Es­paço Cen­tral. Como de cos­tume, ali o vi­si­tante da Festa en­contra um local pro­pício a mo­mentos de agra­dável con­vívio e lazer. Na Loja da Festa, é pos­sível ad­quirir di­versos ma­te­riais e re­cor­da­ções. Este ano, as no­vi­dades são a gar­rafa de vinho e os sacos co­me­mo­ra­tivos dos 40 anos da Re­forma Agrária ou o poster evo­ca­tivo dos 70 anos da der­rota do nazi-fas­cismo. Há ainda cra­chás, ca­mi­solas para homem, mu­lher e cri­ança, um livro para co­lorir sobre o poema «As Portas Que Abril Abriu»; ímanes com os 39 car­tazes da Festa do Avante!, e ainda ca­dernos, pos­tais, mar­ca­dores de li­vros.

 

Mais es­paço, mais Festa

A compra da Quinta do Cabo, con­tígua à Quinta da Ata­laia, anun­ciada na Festa do Avante! de 2014, tem como ob­jec­tivo me­lhorar as con­di­ções em que se re­a­liza a maior ini­ci­a­tiva po­lí­tica e cul­tural do nosso País, bem como aco­lher me­lhor os vi­si­tantes. No Es­paço Cen­tral le­vanta-se um bo­ca­dinho o véu sobre o que será a Festa com a in­cor­po­ração do novo ter­reno.

Os vi­si­tantes terão também a opor­tu­ni­dade de con­tri­buir para a cam­panha na­ci­onal de fundos lan­çada pelo PCP, in­ti­tu­lada «Mais es­paço, mais Festa – Fu­turo com Abril», cujo ob­jec­tivo é an­ga­riar 950 mil euros até Abril de 2016.

Du­rante a Festa, sá­bado e do­mingo, das 10h30 às 12h30, pode-se vi­sitar a Quinta do Cabo. O acesso situa-se na rampa da en­trada da Me­di­deira, abaixo do Posto de Saúde e frente às ins­ta­la­ções da Di­recção da Festa.