As pensões devem aumentar 25 euros, no mínimo
Milhares de reformados nas ruas em 14 localidades
MURPI persiste na luta

Na jornada de sábado, dia 11, assumindo que «só pela luta» será derrotada «a política de direita de sucessivos governos do PS, do PSD e CDS, nestes últimos 39 anos de democracia», milhares de reformados, pensionistas e idosos saíram à rua, exigindo «uma alternativa política que promova o bem-estar das populações e respeite o direito a envelhecer com dignidade».

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A mensagem das acções de protesto dos activistas da Confederação MURPI e das suas associações e de outros amigos e companheiros ficou expressa no texto da resolução, aprovada em Lisboa, Guimarães, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Benavente, Tortosendo, Setúbal, Évora, Beja, Grândola e Faro.

Situando na política de direita a causa principal do agravamento de todos os problemas sociais, o documento proposto aos manifestantes pela direcção da Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI) responsabiliza «a política resultante da aplicação das medidas do Pacto de Rapina da troika, subscrito por PS, PSD e CDS, pelo incremento «da pobreza, da miséria e da fome», bem como «das desigualdades e injustiças sociais».

Ao actual Governo são imputadas as responsabilidades por um acentuado ataque aos rendimentos dos reformados e pensionistas, com «o roubo dos subsídios de férias e de Natal, em 2012, e com o corte e congelamento das reformas, das pensões e das prestações sociais», a par do «aumento generalizado do custo de vida e dos preços dos bens essenciais, pelo agravamento da carga fiscal».

Casimiro Menezes, presidente da direcção do MURPI, ao intervir na concentração realizada sábado à tarde, na Praça Luís de Camões, em Lisboa, lembrou o que ficou evidente na execução orçamental de 2014: «Nas despesas com prestações sociais, leia-se abono de família, subsídio de doença, subsídio de desemprego, complemento solidário do idoso e rendimento social de inserção, o corte foi de mais de 578 milhões de euros». E nas contas dos dois primeiros meses de 2015 «ultrapassa os cem milhões».

Em 14 localidades de 12 distritos, o MURPI condenou «a negação do direito à saúde», o «encerramento de serviços públicos essenciais» e «esta política de austeridade, que empobrece o presente e hipoteca o futuro».

Mas na resolução desta jornada ficou também afirmada a exigência de «uma política alternativa, que consagre os valores de Abril, na defesa do regime democrático, que respeite os direitos constitucionais, o direito ao trabalho, à solidariedade, à Segurança Social, à Justiça, à Saúde, à Educação e à Cultura».

Medidas reivindicadas

Deixando claro que «estas medidas, exigidas pelos reformados e pensionistas, só são alcançáveis pela acção e luta contra a política de direita, pela garantia de uma alternativa política que promova o bem-estar das populações e respeite o direito a envelhecer com dignidade», na resolução – que tem por destinatários os grupos parlamentares, a Segurança Social, o Governo e a Presidência da República – foram reafirmadas as reivindicações principais do MURPI:

aumento de 4,7 por cento nas pensões, garantindo uma subida mínima de 25 euros;

reposição do pagamento por inteiro dos montantes de férias (em Julho) e Natal (Dezembro);

reposição dos complementos de reforma aos ex-trabalhadores das empresas públicas;

informação discriminada sobre a forma como o Centro Nacional de Pensões chega ao valor líquido a pagar aos pensionistas;

redução do IRS e abolição da sobretaxa, e redução do IVA nos bens essenciais;

medidas para defesa do Serviço Nacional de Saúde e para garantir acesso aos serviços de qualidade e de proximidade (fim das taxas moderadoras, transporte gratuito de doentes em situações de não urgência, medidas de protecção e vigilância de saúde dos idosos);

reposição da isenção de 50 por cento nas tarifas dos transportes públicos;

fim da política de encerramento de serviços públicos essenciais;

reconhecimento do MURPI como «parceiro social»;

apoio do Estado à acção das associações de reformados.


«Uma força que conta»

«Esta jornada de luta do MURPI constitui um momento importante de afirmação da força social dos reformados, pensionistas e idosos, que conta e contará para a necessária mudança política», «uma força social que conta e contará para a derrota eleitoral deste Governo», salientou Casimiro Menezes.

Antes do presidente do MURPI, na concentração em Lisboa, interveio Rita Magrinho, em nome da federação distrital de associações de reformados, pensionistas e idosos (Farpil).

As intervenções foram antecedidas pela actuação do grupo coral da ARPI de Santo Antão do Tojal. No final, também foi vivamente aplaudido o grupo coral da Liga de Amigos da Mina de São Domingos.

 

Solidariedade vinda da Madeira

A Associação de Reformados, Pensionistas e Idosos da Região Autónoma da Madeira (ARPIRAM) expressou a sua solidariedade e apoio à jornada nacional de luta e de protesto que o MURPI – Confederação de Reformados, Pensionistas e Idosos promoveu em todo o País.
Em nota de imprensa, a ARPIRAM salienta que também na Madeira e no Porto Santo os idosos, os reformados e os pensionistas «são vítimas dos processos de terrorismo social implementados por governações que preferem pactuar com os interesses do grande capital em vez de trabalhar pelo povo e para o povo».


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