Editorial

Uma intervenção confiante

Neste início de um novo ano cruzam-se múltiplas situações e sentimentos. A gravidade dos problemas do País, da situação dos trabalhadores e do povo, a propaganda em doses massivas para tapar a realidade agreste e criar novas ilusões, os perigos da continuação de uma política de desastre, tudo isto a ser confrontado com a luta dos trabalhadores e do povo, com a acção do Partido resistindo e abrindo o caminho para a ruptura com a política de direita e para a concretização da alternativa patriótica e de esquerda.

Um ano exigente, com uma intervenção confiante, em que o PCP toma nas suas mãos o trabalho infatigável para alargar a resistência, intensificar a luta e a organização dos trabalhadores e das classes e camadas não monopolistas, promover a convergência dos democratas e patriotas, reforçar o Partido, apontando as soluções para o País, orientando, agindo, mobilizando.

Os propagandistas do grande capital após décadas de política de direita, agravada com os PEC e o pacto de agressão, que querem perpetuar, esforçam-se para apagar o rasto que essa política provoca. Fazem balanços de uma realidade inexistente, falam de crescimento quando o País deu um enorme salto atrás, apresentam o número de candidatos para saber informações sobre o Novo Banco como uma boa notícia, só superada em desfaçatez por um comentador que se referiu ao caminho de exploração, empobrecimento, injustiça e desastre nacional dos últimos anos como «as conquistas da troika». O primeiro-ministro no Natal e agora o Presidente da República na sua mensagem de Ano Novo afinam também por esta tosca manipulação.

No entanto a realidade não engana e irrompe com a força dos factos. A exploração e a degradação das condições de vida; os subsídios de desemprego negados à maioria dos desempregados, a redução da atribuição de apoios sociais como o abono de família às crianças e jovens, os apoios aos idosos ou o rendimento social de inserção; as pensões de reforma e o Indexante de Apoios Sociais (IAS) congelados há anos, ao mesmo tempo que em relação a uma pequena parte das pensões é proclamado haver um aumento que se traduz em oito cêntimos por dia; o salário mínimo nacional não foi aumentado no início do ano procurando dar o mote para a contenção e a redução dos salários; os preços de bens e serviços aumentam; o desemprego assume valores muito elevados e, apesar de todas as manipulações, continua a crescer; o Serviço Nacional de Saúde é profundamente golpeado, faltam médicos e outros profissionais de saúde, num processo em que por todo o lado surgem consequências dramáticas como as que foram reveladas nos serviços de urgência de vários hospitais: são expressões duma realidade brutal que coloca com urgência a necessidade de derrotar a política de direita e de concretizar uma alternativa patriótica e de esquerda.

A aproximação das eleições legislativas leva a movimentações diversas com o PSD e o CDS-PP a procurarem esconder as suas responsabilidades, tal como o PS, que procura ocultar o seu continuado comprometimento com a política de direita, fugindo à clarificação da sua posição quanto a questões essenciais, designadamente a renegociação da dívida e o Tratado Orçamental. Criam forças políticas, umas a seguir às outras. Ao mesmo tempo acentuam o silenciamento, a desvalorização e manipulação sobre as posições do PCP e exacerbam o anticomunismo. Os centros do grande capital agem assim para tentar travar o crescimento e afirmação do PCP e o apoio crescente às soluções que apresenta para responder aos problemas nacionais.

Mas a vida segue o seu caminho. No seguimento da acção desenvolvida e da recente reunião do Comité Central, o PCP toma a iniciativa sobre importantes questões. Avança na Assembleia da República com iniciativas parlamentares sobre a privatização da TAP, a extinção da Casa do Douro e a chamada «requalificação», de facto o processo de despedimentos na Administração Pública, bem como para a reposição dos feriados roubados. Promove a realização de iniciativas no âmbito da acção dos deputados do PCP no Parlamento Europeu sobre o euro e a dívida e sobre a economia do mar. Ao mesmo tempo inicia a preparação do Encontro Nacional do PCP «Não ao declínio. Soluções para o País» que decorrerá no dia 28 de Fevereiro.

Assinala-se o facto de o grande capital e o Governo ao seu serviço verem os seus propósitos derrotados em importantes matérias pela luta dos trabalhadores como se expressa na manutenção e reposição das 35 horas de trabalho semanal na maior parte da Administração Local e no fim da imposição do corte no valor do trabalho extraordinário, em dia de descanso semanal ou dia feriado dos trabalhadores do sector privado. O desenvolvimento e intensificação da luta dos trabalhadores e do povo coloca-se como elemento decisivo para defender direitos, concretizar reivindicações e assegurar a derrota da política de direita.

Em articulação com a intervenção política e a luta de massas é fundamental o trabalho de reforço do Partido. Tal como foi definido pelo Comité Central, a grande tarefa do reforço do Partido é a finalização da acção de contacto com todos os membros do Partido para a entrega do novo cartão, a actualização de dados e a elevação da militância, que implica novas medidas e um envolvimento geral dos quadros aos vários níveis da organização partidária. Ao mesmo tempo avança a campanha de recrutamento de novos militantes «Os valores de Abril no futuro de Portugal» e a Campanha Nacional de Fundos «Mais espaço, mais Festa, o futuro com Abril» para a compra da Quinta do Cabo e alargar o espaço da Festa do Avante.

Este início de 2015 é assim um tempo de acção, iniciativa e intervenção confiante do nosso grande colectivo partidário.

 


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