• Carlos Gonçalves

«Os partidos não são todos iguais»

Passos Coelho disse esta semana que os «políticos» e os partidos «não são todos iguais». Assinale-se o facto, já que, para além da utilização manhosa e indevida de uma verdade indesmentível, que copiou do PCP, o presidente do PSD abriu assim mais uma linha de mistificação na batalha política e ideológica dos próximos meses.

Aproveitando uma situação que considerou «não trivial» – a prisão de J. Sócrates – PSD e CDS alargam as manobras para esconder a degradação social, política e institucional do País e a responsabilidade que lhes assiste nesta desgraça, acentuam «diferenças» inexistentes com o PS, cujos «políticos» seriam os «únicos responsáveis» pelo afundamento nacional, enquanto o Governo «resolve os problemas».

Enfim, é mais um expediente de marketing político, para galvanizar as hostes, para enganar os que hesitam entre PS e PSD, para recuperar apoios e diminuir a próxima e inevitável derrota eleitoral do PSD/CDS, e para a continuidade da política de direita, seja com a alternância não alternativa do PS, ou com a aliança PS/PSD, com ou sem CDS.

Nada, verdadeiramente nada, se alterou nos últimos dias quanto ao facto de que os partidos do «arco da política de direita» – PS, PSD e CDS – são «todos iguais» no fundamental, mesmo que haja diferenças de pormenor. PS, PSD e CDS convergem, revezam-se e continuam-se há décadas na política de direita, até hoje e até ver, sem que nada no PS se tenha alterado a este respeito, com Sócrates, Seguro, ou Costa, nas privatizações, na reconstituição dos monopólios, na alienação de soberania, na captura do poder político pelo poder económico, no «caldo de cultura» do roubo, da corrupção e da acumulação primitiva de capitais, que já Marx n'O Capital explicou ser criminógena e que tantos exemplos recentes demonstram à saciedade.

Iguais na defesa dos privilégios, nas «subvenções vitalícias» e na hipocrisia com que negam o que disseram na véspera, ou procuram subverter o que ainda resta de independência da Justiça.

Diferente, de facto, do arco do «são todos iguais», do PS, PSD e CDS, é o PCP. Partido de classe e de palavra, que não está na política para se servir, mas para defender os trabalhadores, o povo e a pátria, por um Portugal de dignidade e soberania.




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