Editorial

«Política alternativa para restituir a esperança numa vida melhor e num Portugal com futuro»

REFORÇAR A LUTA

A situação política e social continua marcada pela aprovação do Orçamento do Estado para 2015, que contou com a condenação, nas ruas, por parte dos trabalhadores e do povo e com a denúncia, o combate firme e o voto contra do PCP. Orçamento cuja discussão foi ocultada pela cortina mediática em torno de sucessivos casos de corrupção, indissociáveis, aliás, da mesma política de direita responsável pela exploração e empobrecimento, que este OE visa aprofundar e pela actual captura do poder político pelo poder económico, em flagrante violação da Constituição.

Se a CRP fosse cumprida e tivessem sido aprovadas as diversas propostas do PCP, que PS, PSD e CDS sistematicamente rejeitaram, muitas destas situações não teriam ocorrido ou ficariam muito limitadas. De facto, há práticas de corrupção geradas à margem e em confronto com a lei. Mas há outras que, apesar de cobertas pela lei, favorecem, de igual modo, os interesses e privilégios do grande capital monopolista, são igualmente condenáveis e a que urge igualmente pôr termo. No fundo, num e noutro casos, a política de direita é a verdadeira semente e adubo desta corrupção, que o poder económico usa como arma de arremesso contra o regime democrático, visando acelerar o seu desgaste, em busca de soluções políticas de cariz anti-democrático.

Sobre estes casos, como declarou o camarada Jerónimo de Sousa, «a nossa posição de fundo e de princípio é a da necessidade do apuramento de toda a verdade, do funcionamento da investigação e da Justiça, e sem apressar julgamentos ou condenações precipitadas», mas para o PCP esta é, em primeiro lugar, uma questão política indissociável da luta pela demissão do Governo, pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa política patriótica e de esquerda. PCP que se apresenta com uma política de verdade, como Partido que previu, preveniu e combateu o rumo que há 38 anos vem sendo imposto ao País pelo PS, PSD e CDS. Partido cujos eleitos nas instituições assumem uma prática de trabalho, honestidade e competência. Partido que intervém na sociedade não para se servir a si ou tirar proveito da sua presença nas instituições, mas para servir, exclusivamente, os trabalhadores, o povo e o País.

PCP que mantém uma intensa intervenção política, em que se incluem as iniciativas do último fim-de-semana, que contaram com a participação do Secretário-geral em Albergaria-a-Velha, Peniche e em Lisboa com significativas participações e contributos de camaradas e amigos.

Prossegue também a acção «a força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda», com novas iniciativas, a 5 e 13 de Dezembro.

Intervenção em que se inclui ainda a tomada de posição e distribuição de documentos sobre a PT e a Segurança Social, a posição contra as «subvenções vitalícias», as numerosas propostas de alteração ao OE e a intervenção na 1.ª ronda de audições no âmbito da comissão de inquérito sobre o BES/GES.

A acção de contactos com os membros do Partido, que regista assinaláveis avanços, deve continuar a ser a grande prioridade do trabalho das organizações. Grande atenção deve merecer também a campanha nacional de fundos em curso.

Destaca-se também as acções tendo em vista a unidade e convergência de forças sociais e políticas e de democratas e patriotas e a sessão evocativa do 100.º aniversário do nascimento de Sérgio Vilarigues, que o Partido vai realizar, no dia 3 de Dezembro.

Intervenção a que o Partido procurará dar grande projecção pública com a realização, no dia 5 de Dezembro, de 50 tribunas públicas «romper com a política de direita – por um País digno e soberano», procurando, assim, contornar o silenciamento a que a comunicação social dominante tem votado as nossas propostas e actividade.

Significativas foram as acções promovidas no âmbito da Marcha Nacional decidida pela CGTP-IN, que culminou com a jornada de luta junto à AR, na passada 3.ª feira e a deslocação à AR, no mesmo dia, de muitos eleitos autárquicos mobilizados pela ANMP. É de assinalar também a elevada adesão à greve dos enfermeiros e na Soporcel na passada 6.ª feira, o diversificado conjunto de acções dos trabalhadores da Segurança Social, bem como a greve na CP da passada 2.ª feira.

Decorreu também, no passado domingo, o 7.º congresso da CNA, que constituiu uma grande realização do movimento dos pequenos e médios agricultores e da Agricultura Familiar com cerca de dois mil participantes e que, com grande unidade e combatividade, afirmaram a importância deste sector e as suas reivindicações.

Decorreram igualmente importantes iniciativas – Assembleia e Concerto pela Paz – promovidas pelo CPPC, no passado dia 22.

Segue-se, agora, entre muitas outras lutas, a greve e manifestação da Administração Local em defesa das 35 horas, a greve dos trabalhadores da Segurança Social e a acção dos trabalhadores da PT, no dia 4 de Dezembro; no dia 3, realizar-se-á uma greve e manifestação na EMEF; nos dias 3 e 4, a greve nas empresas de transportes colectivos dos grupos TRANSDEV e ARRIVA e, no dia 9, a greve nos STCP.

Em simultâneo, prossegue a dinamização da acção reivindicativa a partir dos problemas concretos nas empresas e locais de trabalho.

No próximo sábado, terá lugar, em Almada, uma iniciativa de solidariedade com a Palestina promovida pelo CPPC/CGTP-IN/MPPM.

São difíceis os tempos que vivemos, mas o PCP está em condições de assumir todas as responsabilidades que o povo português lhe entenda confiar como pilar imprescindível da alternativa política patriótica e de esquerda. Para concretizar uma política alternativa capaz de restituir a esperança numa vida melhor e num Portugal com futuro.



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