Editorial

«Derrotar o Governo, romper com a política de direita, construir a alternativa»

POR UM PORTUGAL<br>COM FUTURO

Desgastado pela continuada resistência que os trabalhadores e as populações têm levantado à sua política e enfraquecido pelos numerosos «casos» que têm vindo à luz do dia, o Governo avança, agora, com nova campanha de mistificação para reabilitar a imagem e, de olhos postos nas eleições, recauchutar a igualmente desgastada coligação PSD-CDS, como indicia a realização conjunta de Jornadas Parlamentares.

O PS, com uma iniciativa pública limitada pelo facto de não ter política alternativa à política de direita, volta-se para a preparação do congresso de que quer fazer o momento de arranque político-eleitoral, fugindo, assim, a qualquer comprometimento com questões políticas fundamentais.

Tudo isto enquanto a discussão em torno da proposta de Orçamento do Estado para 2015, ampliada pela comunicação social dominante, adquire grande centralidade na nossa vida política.

O PCP desenvolve uma intensa actividade, batendo-se pela demissão deste Governo, pela convocação de eleições antecipadas, pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa política patriótica e de esquerda, que abra caminho a um Portugal com futuro. Política patriótica e de esquerda de que são eixos fundamentais: a renegociação da dívida pública, dos seus montantes juros e prazos, para que seja possível o desenvolvimento do País; a promoção e valorização da produção nacional e a recuperação do controlo público da banca e do sector financeiro, dos sectores e empresas estratégicas; a valorização dos salários e rendimentos dos trabalhadores e do povo; a defesa de serviços públicos e funções sociais do Estado, do direito à educação, à saúde, à protecção social; uma política fiscal que reduza a carga sobre os trabalhadores e as pequenas e médias empresas e tribute fortemente o grande capital, a especulação e os lucros; a rejeição das imposições do euro e da UE, recuperando para o País a soberania económica, orçamental e monetária.

Realiza a acção «a força do povo por um Portugal com futuro – uma política patriótica e de esquerda» que, iniciada a 28 de Setembro, vai ter, até 4 de Novembro, a sua terceira semana temática em torno da «valorização efectiva dos salários e pensões», que inclui a sessão pública sobre «Direitos dos trabalhadores e progresso social», que se realizará, pelas 17 horas da próxima 3.ª feira, em Lisboa e contará com a participação do Secretário-geral do PCP. Destaca-se também a recente apresentação na AR de uma proposta de resolução sobre a PT, a participação na Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso BES/GES, constituída por sua iniciativa; a apreciação, tomada de posição e preparação de dezenas de propostas de alteração ao OE para 2015. Merecem igualmente registo os encontros com a CMPME, a CNA e a CONFAGRI no âmbito da acção de diálogo com outras forças sociais e políticas e, no quadro das comemorações do 40.º aniversário da Revolução de Abril, a sessão-debate sobre «A política de Justiça e o Regime Democrático», realizada na passada 6.ª feira, em Lisboa, com numerosos participantes e um diversificado conjunto de intervenções e reflexões sobre os problemas da Justiça e as propostas do PCP para esta área.

Muitas foram as lutas travadas pelos trabalhadores e as populações em defesa dos seus interesses e direitos. Regista-se, em particular, a luta dos estudantes dos ensinos Básico e Secundário da passada 5.ª feira, com expressão em dezenas de escolas e localidades. Registo merecem também, a grande jornada de luta da EGF, no mesmo dia; a greve dos trabalhadores do sector público da saúde na passada 6.ª feira, com elevada adesão; a realização, no passado sábado, do 9.º Congresso do MDM que, com grande participação, reafirmou o papel da luta e da organização na defesa dos direitos das mulheres; os plenários da Soflusa iniciados anteontem e que, entre as 7 h e as 9 h, se vão realizar, todos os dias até ao próximo sábado; a manifestação nacional dos trabalhadores da Administração Pública que, amanhã, se vai realizar em Lisboa e para a qual, até à última hora, é necessário fazer todos os esforços de mobilização. Como vai ser também a acção de convergência dos estudantes do Ensino Superior no próximo dia 12 de Novembro, o dia nacional de indignação, acção e luta da CGTP-IN – acção reivindicativa nas empresas e locais de trabalho com greves e paralisações – e a marcha nacional (descentralizada) de 21 a 25 de Novembro.

No plano do reforço do Partido, regista-se as boas iniciativas políticas do passado fim-de-semana, na Figueira da Foz, Vila Real e na Guarda, onde se realizou a 8.ª Assembleia da Organização Regional, com a presença do Secretário-geral do PCP, iniciativas que, num bom ambiente, deram projecção à luta dos trabalhadores daquelas regiões (Soporcel, vitivinicultores do Douro, agricultores, pastores) e importantes passos no reforço da organização.

Importa agora dar redobrada atenção à acção de contactos, à jornada de propaganda que se iniciou ontem, a participação no Encontro de Quadros sobre a Festa do Avante! a realizar no próximo dia 15 na Quinta da Atalaia e à Campanha Nacional de Fundos para a compra da Quinta do Cabo.

Derrotar este Governo e, ao mesmo tempo, romper com trinta e oito anos de política de direita (da responsabilidade do PS, PSD e CDS) não é tarefa fácil. Mas, com um PCP mais forte e influente, com a força do povo e uma política patriótica e de esquerda, é possível um Portugal com futuro.

 


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