• Jorge Messias

Enigmas do novo Papa

Enigmaticamente, o cardeal Ratzinger abdicou do seu trono de Sumo Pontífice.

Não menos enigmática foi a sua sucessão, praticamente automática, confiada a um cardeal argentino quase desconhecido do povo católico. Os enigmas adensaram-se quando se soube que o novo Papa era considerado conservador, no mundo eclesiástico, propondo-se entretanto, a partir daqui, modernizar a Igreja e abri-la às inegáveis conquistas do homem.

Todos estes aspectos contraditórios foram rapidamente encobertos pela mais maciça e minuciosa campanha de propaganda dos media. Não há memória de coisa semelhante em sucessões papais anteriores. Mesmo nos mínimos pormenores: o grande senhor do mundo que escolhe como nome de guerra, simplesmente, Francisco; o Papa que lava os pés aos presos condenados; o padre que prefere o autocarro aos topo de gama do Vaticano; o homem modesto feito Papa que não se esquece de pagar a conta no hotel. E assim por aí fora. Houve, em plena crise financeira mundial, quando a Santa Sé tanto cita a Igreja dos pobres, um esbanjar de fortunas na propaganda eclesiástica do padre Francisco.

Os enigmas, no entanto, não ficam por aqui. Depois se veio saber que este conservador progressista, firmemente decidido a democratizar a igreja, colaborara com uma das mais ferozes tiranias que a América Latina jamais conheceu; e que seria insensato pensar-se que o poderoso arcebispo de Buenos Aires nenhuma informação tivesse acerca da pedofilia dos padres, dos desfalques da banca católica ou dos escândalos que minam as instituições ditas caritativas da sociedade civil confessional. É evidente que – tal como os outros cardeais – de tudo soube e tudo calou.

Nestes casos, as ambiguidades estão patentes. Noutros, não serão tão evidentes mas não são menos reais. Citaremos duas ou três mas outras mais ficam em carteira.

Por exemplo, o projecto que se encontra em franco desenvolvimento, sobretudo na Argentina e no Brasil e dá pelo nome de agronegócio. Trata-se, resumidamente, de substituir, no Terceiro Mundo, a Reforma Agrária, revolucionária e tendencialmente socialista, pela aplicação de um conjunto de medidas que restabeleçam o latifúndio, generalizem as práticas de exploração intensiva das terras e fundam numa mesma actividade a produção agrária e a distribuição comercial dos produtos alimentares.

Outra questão é a da centralização do poder político mundial. O Vaticano já propôs oficialmente a implantação de um só governo mundial e de uma única autoridade coordenadora de todos os bancos financeiros. A tudo isto junta-se a substituição da velha classe média por uma outra, constituída por tecnocratas iluminatti.

A nenhuma destas metas o Sumo Pontífice pretende renunciar.



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