25 por cento das verbas da reconstrução foram usadas para outros fins
Fukushima e reconstrução no Japão
Escândalos nucleares

Três dos seis peritos nomeados pelo governo japonês para implementarem os requisitos de segurança nos reactores do país lideraram investigações financiadas por empresas ligadas à indústria nuclear, caso ao qual acrescem denúncias de má-gestão dos fundos destinados a fazer face às consequências do maremoto, e a persistência da contaminação radioactiva com origem em Fukushima.

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Na prática, os membros da autoridade reguladora receberam das entidades que monitorizavam milhões de ienes para os respectivos projectos científicos, supostamente relacionados com a energia atómica, facto que está a levantar suspeitas quanto à sua imparcialidade.

A denúncia assumiu contornos graves quando se detalhou que dois dos especialistas, professores nas universidades de Nagoya e Osaka, arrecadaram, em conjunto, quase 10 milhões de ienes de uma subsidiária da Tokyo Eletric Power (TEPCO), a empresa que gere a central de Fukushima, e da Mitsubishi Heavy Industries, fabricante de componentes para o sector, informou a Lusa.

A comissão que investiga a catástrofe, ocorrida em Março de 2011 na sequência de um tsunami, já apelou aos implicados para que tornem públicos os financiamentos e donativos recolhidos para as pesquisas, noticiou ainda a agência portuguesa.

A tudo isto acresce um outro escândalo relacionado com a aplicação dos fundos angariados para fazer face às consequências da tragédia e para reconstruir o território devastado pelo maremoto. Estima-se que 25 por cento das verbas tenham acabado a pagar iniciativas como a remodelação de gabinetes governamentais, o combate à captura de baleias, o treino de pilotos de caça, a construção de uma fábrica de lentes de contacto situada a milhares de quilómetros da zona atingida, ou a promoção de uma torre de comunicações que reclama o título de mais alta do mundo no seu segmento.

A revelação destes dados deixou de cabelos em pé as cerca de 320 mil pessoas que permanecem deslocadas, entre as quais 200 mil em alojamentos de carácter provisório.

A maioria das famílias recebeu cerca de 40 mil dólares para reconstruir as respectivas habitações, o que, acusam, é de todo insuficiente, sobretudo considerando o total dos que perderam o emprego e encontram sérias dificuldades para encontrar novo posto de trabalho, ou para recolocarem em funcionamento os negócios arrasados.

Na região mais afectada pelo tsunami, 240 portos (utilizados na sua maioria por pequenos pescadores) continuam encerrados. 60 por cento dos projectos económicos candidatos a subsídios foram rejeitados pelas autoridades, isto apesar do referido desbaratamento dos fundos e de uma boa parte destes continuar por atribuir.

 

Perigo subsiste

 

Fukushima continua igualmente a dar que falar porque a TEPCO não garante o estancamento das fugas no complexo nuclear. No passado dia 26 de Outubro, a operadora confirmou a situação, isto depois de um relatório científico notar que 40 por cento do peixe capturado na zona apresenta índices anormais de radiação.

«O nível não está a baixar», embora saibamos que «os oceanos absorvem o material contaminante quando a fuga radioactiva é completamente estancada», precisou à Associated Press o cientista norte-americano Ken Buesseler, do Instituto Oceanográfico Woods Hole.

A TEPCO admite dificuldades em armazenar e conter a água usada para arrefecer os reactores de Fukushima, bem como para impedir a penetração de mais água na estrutura que acabou por colapsar, bem como nas demais que se encontram danificadas.

No passado mês de Abril, a empresa confirmou uma nova fuga na central. Nesse mesmo período, a Rússia e os EUA salientaram a detecção de espécies contaminadas nas respectivas costas marítimas.



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