6 mil milhões de dólares foram gastos na campanha
Eleições nos EUA
Fraude e dinheiro

O «caótico processo de inscrição nos registos eleitorais» norte-americanos pode voltar a ditar uma «fraude impune» nos resultados das eleições que anteontem se realizaram nos EUA, as quais figuram já como as mais caras de sempre.

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A acusação é do Centro de Investigação Pew, segundo o qual pelo menos três milhões de eleitores estão inscritos em dois ou mais estados do país, e outros dois milhões que ainda constam nos cadernos já faleceram.

A conclusão do Pew, divulgada pelo USA Today a escassos dias do sufrágio indirecto, acrescenta que um em cada oito registos contém dados insuficientes ou imprecisos sobre os votantes.

Antes, já o New York Daily News havia exemplificado a falência do sistema eleitoral sustentando que, em 2000, mais de 45 mil pessoas estavam simultaneamente registadas em Nova Iorque e na Florida. Recorde-se que na altura George W. Bush garantiu a totalidade dos votos dos delegados da Florida no colégio eleitoral, e, consequentemente, a designação para presidente dos EUA, por uma margem de 500 votos, perdurando até hoje a suspeita de fraude.

Na quinta-feira, 1, uma outra organização, o Center for Responsive Politics (CRP), calculou em 6 mil milhões de dólares o montante gasto na campanha eleitoral, isto somando as verbas despendidas pelos candidatos republicano e democrata à presidência, e as homólogas para a Câmara dos Representantes, para cerca de 1/3 dos lugares do Senado, 13 governadores e outros cargos estatais e locais cujos sufrágios se realizaram, igualmente, terça-feira dia 6.

O CRP sublinha que esta foi a corrida eleitoral mais dispendiosa da história do país, e atribuiu a revisão em alta dos gastos antes estimados aos grupos de pressão, que entre Setembro e Outubro fizeram disparar os montantes desbaratados de 19 para 33 milhões de dólares por semana, em média.

Parte considerável de todo este dinheiro é doado por uma elite cuja influência nas decisões da política norte-americana prevalece. É o que se concluiu do facto de os fundos doados por gente abastada, empresas, sindicatos e «grupos de cidadãos», abrigados nos Comités de Acção Política, conhecidos agora como Super PAC's, terem crescido 400 por cento face a 2008, resultado de uma decisão judicial, datada de 2010, que impede a limitação dos montantes angariados neste âmbito.

Um estudo da Demos e da US Public Interest Research Groups (PIRGs) afirma que 60,5 por cento do total do valor dos Super PAC's nesta campanha provém de 91 pessoas, e que 25 por cento daqueles tem origem incerta.



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