Breves
Alemanha lucra com dívidas do Sul

O presidente do BCE esclareceu que os contribuintes, em particular os alemães, não terão de pagar a factura do programa de compra de dívida do Banco Central Europeu (BCE).

Em entrevista à revista alemã Der Spiegel, dia 30, Mario Draghi disse que, «pelo contrário, até agora tivemos lucro com as nossas compras de obrigações, que foram para os bancos centrais nacionais, que por sua vez beneficiam governos e contribuintes.»

E «se os governos no Sul da Europa continuarem a realizar com sucesso as reformas estruturais como nos últimos meses, os contribuintes alemães vão ter lucros».


China investe em aeroporto londrino

O fundo soberano chinês CIC (China Investment Corporation), gestor de parte da reserva nacional de divisas, anunciou, dia 1, a compra de dez por cento das acções da Heathrow Airport Holdings, operadora do aeroporto londrino.

Parte das acções (5,72%) foram cedidas pela construtora espanhola Ferrovial, que, na véspera, comunicou a venda de acções no valor de 319,3 milhões de euros a uma subsidiária do CIC.

O CIC, com activos avaliados em 371 mil milhões de euros, é a principal empresa estatal chinesa responsável por reinvestir a reserva de moeda estrangeira nacional, avaliada em 2,52 biliões de euros.


GM despede na Europa

A General Motors, o maior construtor de automóveis norte-americano, anunciou, dia 31, que terminará o ano com menos 2600 postos de trabalho nas suas unidades na Europa.

O programa de redução de pessoal do grupo já levou a que 2300 trabalhadores deixassem a empresa até ao momento. Em 2013 haverá mais despedimentos, segundo admitiu o director regional, Steve Girsky, numa conferência após a publicação dos resultados trimestrais, que revelam uma queda dos lucros de 12 por cento em termos homólogos, devido sobretudo a fortes perdas na Europa.


Hollande cada vez mais impopular

Menos de seis meses após ter tomado posse como presidente da Franca, a popularidade de François Hollande não pára de cair. De acordo com a última sondagem da TNS-Sofres (Le Figaro magazine), apenas 36 por cento dos franceses mantêm a confiança no chefe de Estado.

O resultado era expectável depois de Hollande ter feito marcha-atrás em várias promessas eleitorais, mostrando-se cada vez mais permeável às pressões do capital para aprofundar as reformas eufemisticamente chamadas «estruturais», ou seja, aquelas que atingem os direitos laborais e sociais dos trabalhadores e do povo em geral.

Ao mesmo tempo, o país não sai do marasmo económico, lançando todos os meses milhares de trabalhadores para o desemprego que já afecta mais de três milhões de pessoas.

Por seu turno os patrões exigem cortes na despesa pública de pelos menos 60 milhões de euros, a redução da sua parte nas contribuições sociais e o aumento do IVA. Hollande titubeia, recusa falar de medidas radicais, mas evoca a necessidade de uma «mutação» mediante «negociação».


Indústria desacelera pelo 15.º mês

O sector manufactureiro da Zona Euro contraiu-se pelo 15.º mês consecutivo, segundo o índice respectivo da empresa Markit.

A procura nos mercados internos mantém-se fraca e as trocas intracomunitárias continuam a recuar.

O índice, corrigido das variações sazonais, baixou de 46.1 em Setembro para 45.4 em Outubro, no conjunto dos 17 países da moeda única. Apenas a Irlanda com 52.2 está acima da barreira de 50.0, enquanto que mesmo economias tradicionalmente dinâmicas como a Holanda entraram em terreno negativo.

A contracção acelera-se na Alemanha, Itália, Espanha, Áustria e na Grécia, atenuando-se ligeiramente em França (43.7), embora seja superior à média dos países analisados, painel que não inclui Portugal.