O povo tem o direito e o dever de se indignar com as injustiças
Passeio das Mulheres CDU do Porto
Em luta com alegria e festa!

Centenas de pessoas participaram, domingo, em mais uma edição do Passeio das Mulheres CDU do Porto, que este ano, pela segunda vez, teve lugar no concelho de Cantanhede, no Parque Fluvial de Olhos de Fervença. Esta iniciativa contou com a presença e intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, que acusou o Executivo PSD/CDS de levar ainda mais longe as políticas anti-sociais do governo anterior (PS).

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Durante todo o dia, activistas e simpatizantes da CDU conviveram neste grande piquenique, repleto de boa disposição, música popular, jogos tradicionais e muitos petiscos. Os participantes viajaram até Cantanhede com as merendas, grelhadores e muitos outros acessórios de apoio, transformando o Parque Fluvial num enorme «banquete», com todo o tipo de iguarias. A música animou a iniciativa fazendo com que novos e velhos partilhassem as danças.

No comício, Ana Regina Vieira, membro da Direcção da Cidade do Porto do PCP e do Grupo de Trabalho das Mulheres CDU, valorizou a realização, ano após ano, daquela calorosa acção, sempre recheada de alegria e festa, mas também de luta e de combatividade por um País mais justo. Segundo afirmou Ana Regina, o Passeio das Mulheres CDU caracteriza-se pelas suas especificidades populares, pela participação das gentes típicas do Porto e pela coexistência da diversão e das reivindicações e criticas às políticas de direita.

Segundo valorizou a comunista, esta é ainda uma iniciativa ímpar nos panoramas regional e nacional, não apenas pela dimensão e ambiente, mas pela sua história de mais de vinte anos e pela presença expressiva de moradores dos bairros sociais, do Centro Histórico do Porto e de muitos outros locais da cidade e da região.

Por seu lado, e de seguida, Rui Sá, vereador da CDU na Câmara do Porto, denunciou a insensibilidade social da coligação PSD/CDS na autarquia, que, apesar de deter dezenas de fogos desabitados nos bairros sociais, em média demora três anos a dar resposta a quem os solicita, e, em caso deste ser aceite, demora mais um ano para atribuir a habitação. Ou seja, a Câmara do Porto demora em média mais de quatro anos para atribuir uma habitação social.

O eleito do PCP criticou, de igual forma, o facto de a gestão das habitações sociais, pela Câmara do Porto, se caracterizar, cada vez mais, como um negócio que, como qualquer outro, tem que gerar lucros. Recorde-se que, entre 2005 e 2009, a autarquia PSD/CDS, à custa do aumento dos preços, duplicou os valores recebidos em rendas, passando de 4,5 para nove milhões de euros.

Apesar de a CDU ter apenas um vereador, entre os 13 membros do Executivo Municipal e quatro eleitos entre os 39 membros da Assembleia Municipal do Porto, é de longe a força política com mais intervenção e propostas.

Rui Sá deu ainda conta de que a CDU tem um gabinete aberto onde qualquer munícipe se pode dirigir, sendo directamente recebido pelo vereador ou por membros da Assembleia Municipal, e alertou para as consequências da política de direita levada a cabo pelo anterior e actual Governo, destacando as recentes alterações às redes nocturnas e de madrugada dos autocarros da STCP e ao encerramento de várias estações dos CTT, que têm motivado justos protestos das populações.

 

Querem romper com os caminhos de Abril

 

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Na intervenção de encerramento, Jerónimo de Sousa acusou o Governo PSD/CDS de levar ainda mais longe as políticas anti-sociais do governo anterior. «Para onde vai o dinheiro que vão roubar ao 13.º mês dos trabalhadores?» questionou, para depois recordar que nos últimos dias foram transferidos mais mil milhões de euros de fundos públicos para o BPN.

O Secretario-geral do PCP realçou, por outro lado, o alcance negativo da concretização dos conteúdos no programa do Governo, que correspondem apenas aos interesses dos grandes grupos económicos e financeiros, e alertou para a pretensão de fazer recuar o País, em matéria de direitos sociais, ao tempo em que «aos filhos dos operários restava apenas ir para a fábrica e as universidades ficavam reservadas aos descendentes dos doutores»

«O que vai restar do Serviço Nacional de Saúde, se este programa de Governo for cumprido, é apenas uma assistência minimalista, ficando qualquer intervenção médica de fôlego dependente da capacidade económica de cada um» salientou Jerónimo de Sousa, que apelou ao desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do povo português. «Cada uma das malfeitorias, em curso e anunciadas, tem de merecer o mais vivo protesto dos portugueses. Querem criminalizar a luta, querem romper com os caminhos de Abril, querem colocar a Constituição na gaveta, mas, agora e sempre, acreditamos que o povo tem o direito e o dever de se indignar com as injustiças», sublinhou.



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